Lula da Silva




Presidente Lula e o Governo estão fazendo tudo para controlar com mão de ferro a CPI da Petrobras porque a caixa-preta da empresa pode revelar escândalo de corrupção maior do que o do Mensalão.
MEDO DA CAIXA-PRETA DA PETROBRAS
Como o Governo do PT não conseguiu impedir a criação da CPI da Petrobras, agora está fazendo tudo para ter absoluto controle das investigações. Daí o presidente Lula(foto) ter chamado lideranças governistas no Congresso e imposto: O Governo tem que ficar com a presidência e a relatoria da CPI. Por que? Porque o Lula e o Governo morrem de medo de que seja aberta a caixa-preta da Petrobras, cheia de irregularidades e desmandos: superfaturamentos, desvio de recursos, contratos suspeitos com ONGs e até sonegação de R$ 4 bilhões em impostos. Pode ser um escândalo muito maior do que o Mensalão, que quase derrubou o presidente Lula.

Grande indicativo dessa possibilidade é o de que o Tribunal de Contas da União tem tido enormes dificuldades para cumprir sua obrigação constitucional de fiscalizar as contas da Petrobras nesses anos do Governo Lula. Com objetivo claro de esconder suas maracutaias, a direção petista da maior empresa estatal brasileira sempre alega sigilo comercial para impedir o acesso aos documentos e informações importantes na realização de auditorias. Depois, tem usado abusivamente de liminares na Justiça para fazer todas as suas compras e contratações sem licitação, fugindo ao controle do Tribunal de Contas da União. Outro indicativo relevante da falta de transparência da Petrobras é o de que a empresa não repassa informações sobre seus contratos para o Sistema Integrado de Admi nistração de Serviços Gerais da administração federal. Por isso, para auditores, tudo indica que a caixa-preta da Petrobras é assustadora. Dessa forma, o esforço do Governo Lula para comandar com mão de ferro a CPI da Petrobras não é apenas uma questão política, como sugeriu o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, após conversa com o Presidente: “A CPI é um direito da minoria, mas eleger o presidente e indicar o relator são direitos da maioria quando não existe acordo”. Não é essa a questão. Para o Governo, ter o controle seguro da CPI, através do presidente e do relator, é fundamental para evitar surpresas, sustos, revelações graves e comprometedoras, como aconteceu no Mensalão. Se não houvesse irregularidades na Petrobras, o presidente Lula estaria absolutamente tranqüilo. Mas elas são evidentes, já detectadas pelo Tribunal de Contas da União, pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. Não se conhece é o tamanho do poço, nem a quantidade de lama. Como o Governo Lula sabe que o poço é profundo e pode ter lama até o pré-sal, está trabalhando em duas frentes: no Congresso, articulando o comando da CPI e criando dificuldades para a oposição; e nas ruas, mobilizando centrais sindicais, UNE, MST, ONGs e outros grupos alinhados ao Governo petista para que façam protestos, como estão fazendo, contra a CPI da Petrobras e em defesa da maior estatal brasileira. É a exigida retribuição desses grupos aos volumes imensos de recursos que têm recebido dos cofres públicos, como nunca antes na história. E eles estão retribuindo, vergonhosamente, pois deveriam, na verdade, estar defendendo as investigações para limpeza ética e moral na administração da Petrobras. Mas o dinheiro causa vendaval... Diante das pressões do Governo Lula, criou-se um novo impasse no Congresso Nacional: agora, PSDB e DEM, com o apoio de partidos menores, estão obstruindo votações de Medidas Provisórias importantes para o Governo, começando pela que cria o Fundo Soberano, que vence neste 1º de junho. É a reação da oposição que só terá três dos 11 votos da CPI, assim explicada pelo líder do DEM no Senado, Agripino Maia: “O Governo realmente tem número para eleger o presidente da CPI, mas precisará também ter número para aprovar em plenário o Fundo Soberano”. De qualquer forma, nada disso supera o pânico que o Governo tem da caixa-preta da Petrobras.
Oposição mantém disposição de participar da CPI da Petrobras, mesmo sabendo que ela será chapa-branca, acreditando que eventual pressão da opinião pública pode influir no rumo das investigações.

Expediente Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva