undada
em 20 de julho de 1897, no Rio de Janeiro, composta por 40 membros
efetivos e perpétuos, a Academia Brasileira de Letras, inspirada
no modelo da Academia Francesa, festejou, nessa semana, 110
anos. Orgulhosos do relevante papel da ABL na promoção e na
valorização da língua e da literatura nacionais, seus acadêmicos
lembraram, em sessão comemorativa, o discurso inaugural do seu
primeiro presidente, escritor Machado de Assis: “O vosso desejo
é consertar, no meio da federação política, a unidade literária.
Tal obra exige não só compreensão pública, mas ainda e principalmente
a vossa constância. A Academia Francesa, pela qual esta se modelou,
sobrevive aos acontecimentos de toda casta, às escolas literárias
e às transformações civis. A vossa há de querer ter as mesmas
feições de estabilidade e progresso. O batismo das |
suas
cadeiras com os nomes preclaros e saudosos da ficção, da lírica,
poética e eloqüência nacionais é indício de que a tradição é
o seu primeiro voto. Cabe-vos fazer com que ele perdure. Passai
aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para
que eles os transmitam aos seus e a vossa obra seja contada
entre as sólidas e brilhantes páginas da vida brasileira”. Machado
de Assis foi seu presidente até 1908. Em 1923, a Academia Brasileira
de Letras deixou o prédio do Pedagogium, na Rua do Passeio Público,
onde funcionou em seus primeiros anos, e foi para sede própria
que lhe foi doada pelo Governo francês: uma réplica do Petit
Trianon de Versailles, construído no ano anterior para abrigar
o pavilhão da França na Exposição Internacional alusiva ao Centenário
da Independência do Brasil, no Rio de Janeiro. Até hoje é o
local para as reuniões regulares dos acaêmicos e para as sessões
solenes comemorativas e de |
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posse dos novos membros da ABL. Seu quadragésimo primeiro
presidente, desde 2006, é o escritor pernambucano Marcos
Vilaça, ministro e ex-presidente do Tribunal de Contas
da União, que assim se refere aos 110 anos da ABL: “Muito
tempo passou. Gerações se sucederam na parceria de relevantes
serviços à cultura. Houve dor e sorriso, na partida
e na chegada de confrades. Indiscutível que a literatura
é a central das preocupações acadêmicas, mas impossível
desconhecê-la como o grande instrumento de interpretação
das formas de vida humana, de percepção da história.
Poesia, narração, ensaio, teatro, novela, transparecem
a vida. Somos uma casa para as humanidades. A Academia
envaidece-se na constatação da transcendentalidade da
ação de seus intelectuais que lhe deram memória histórica”.
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Mais antigo registro fotográfico
da ABL em 1909

Machado de Assis
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Marcos
Vilaça
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Prédio do Pedagogium, sede da ABL até 1923
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