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Jornal das Vozes Livres de Brasília
HOME   Brasília - DF 30/09/2007

A FALÊNCIA DA REPRESENTAÇÃO
xiste um debate acirrado na Ciência Política sobre onde estaria a essência da representação política. Alguns teóricos enfatizam que a representação estaria no que o representante é. Que quanto mais parecido à realidade social nas suas mais diversas clivagens, mais representativo é o parlamento. Nesse sentido, ele deve ser uma espécie de microcosmos a refletir a sociedade em suas características relevantes. Outra corrente defende que o parlamento representativo não deve ser uma versão reduzida da sociedade, mas sim um espaço no qual as diversas correntes de opiniões, preferências, ideais e valores sejam representados de forma proporcional. Aqui, o que importa não é o que o representante é, mas como ele age. Como mais uma vez ficou demonstrado nos últimos dias, o Congresso Nacional brasileiro não atende de forma satisfatória nenhum dos entendimentos sobre a atividade representativa. Se analisarmos do ponto de vista que enfatiza o que o representante é, a situação se revela dramática. Evidentemente, não é muito difícil perceber que grupos sociais como mulheres, negros e pobres, entre tantos outros, estão acentuadamente subrepresentados, enquanto o grupo dos homens brancos ricos dominam os gabinetes do Congresso. Na outra visão, a que enfatiza o





que o representante faz, a situação não melhora muito. Primeiro, o Senado Federal absolveu Renan Calheiros. Nessa semana, a Câmara dos Deputados aprovou a prorrogação da CPMF sem redução alguma da alíquota do tributo. Claramente, ambas as decisões não refletem de forma adequada ou

proporcional às correntes de preferências existentes na sociedade, como mostram algumas pesquisas de opinião. Todavia, muitos teóricos da representação alegam que os eleitores são basicamente mal informados, apáticos e desinteressados, o que os levaria a um entendimento equivocado de quais seriam seus “reais” interesses. Caberia ao representante garantir que esses interesses sejam atendidos da melhor forma possível, mesmo que esta seja diferente do que os representados julgam que seja mais benéfico para eles. É uma constatação bastante razoável. Em tese, esse é o argumento do Governo. A sociedade é majoritariamente contra a continuidade da CPMF nos moldes em que está, mas o imposto é do seu interesse por diversas razões. Não cabe aqui mostrar que as razões apresentadas são falsas. Basta apontar que, ao invés de se mostrar sensível à maior parte da opinião pública e tentar estabelecer um diálogo para convencê-la da importância do imposto, a grande atuação do Governo no processo de prorrogação do tributo se resume à distribuição de cargos para os partidos da base aliada. É o reconhecimento aberto, por parte dos poderes, de que as opiniões da sociedade pouco importam. Terá o recado sido entendido?

*Estudante de Ciência Política na UnB e de Jornalismo no UniCeub.

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