Dilma Rousseff




Governo Lula está atordoado com a inesperada rebelião de 12 dirigentes da Receita Federal como ato de repulsa à ingerência política da ministra Dilma Rousseff e em defesa da credibilidade da instituição que tem 26 mil servidores.
CRISE CONFIRMA VERSÃO MENTIROSA
Rebelião de 12 dirigentes da Receita Federal, sendo seis superintendentes, cinco coordenadores e um subsecretário, que pediram demissão coletivamente, nessa semana, além de revelar uma crise de comando e de orientação do Governo Lula quanto ao fisco federal, veio confirmar a versão tida mentirosa da ministra-candidata à Presidência, Dilma Rousseff(foto). Em documento, os demissionários denunciam clara ruptura do Governo com diretrizes da Receita sob o comando da ex-Secretária Lina Vieira, demitida após reagir à ingerência da ministra que pediu agilidade nos processos tributários contra a família do senador José Sarney.

Desgaste da ministra-candidata de Lula, sob a fama de mentirosa, é tanto que o presidente Lula resolveu anunciar as novas regras para exploração do petróleo, nesta segunda-feira(31), em cerimônia no Palácio do Planalto, numa tentativa de carimbar Dilma como “Mãe de Pré-Sal” já que ela está bastante queimada como “Mãe do PAC”. Mas, isso em nada vai resolver a questão básica da crise atual que tem como origem um encontro havido ao final de 2008, segundo Lina Vieira, entre ela e a ministra, porém repetidamente negado por Dilma. Desdobramentos desse episódio estão agravando a situação da ministra e aumentando o seu desgaste político-eleitoral. Primeiro, porque a ex-Secretária da Receita, demitida em 9 de julho, em seguidas declarações à imprensa, temmantido sua versão sobre o encontro reservado no Palácio do Planalto. Segundo, porque Lina Vieira, confirmou tudo em depoimento ao Senado, no dia 18 de agosto. Terceiro, porque o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência anunciou terem sido apagadas as fitas do circuito interno da Casa Civil que poderiam comprovar a reunião. E quarto, porque o Governo, com sensibilidade de elefante, em reação ao depoimento, demitiu a chefe de gabinete e o assessor especial da ex-Secretária da Receita, Iraneth Weiler e Alberto Amaral Neto, respectivamente, citadas como testemunhas do episódio, além do motorista que a levou ao Palácio do Planalto. Explicação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que foram demissões “administrativas” foi recebida como piada grosseira. Como os principais dirigentes da Receita Federal sabiam e sabem que houve o encontro entre a ministra Dilma Rousseff e a ex-Secretária Lina Vieira, previamente acertado pela secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, em visita à Receita sob testemunhas, resolveram, então, partir para a rebelião tendo em vista proteger a credibilidade da instituição federal. Justificam o ato, em seu documento oficial, pela defesa da “construção de uma instituição mais republicana, com autonomia técnica e imune às ingerências e pressões de ordem política e econômica”. Esse documento reforça declaração de Lina Vieira, em seu depoimento ao Senado, rejeitando ingerência política “incabível” da ministra Dilma Rousseff. Mais precisamente: confirma o encontro no Palácio do Planalto e confirma a mentira da ministra. Obviamente, não é só isso. Pesou bastante na decisão dos dirigentes demissionários da Receita a questão da Petrobras, criticada publicamente pela ex-Secretária por ter feito artifício que lhe permitiu sonegar mais de R$ 4 bilhões em impostos federais. Para eles, a demissão de Lina, logo após esse episódio, foi um sinal de ruptura do Governo com a seriedade e a legalidade na gestão do fisco federal. Mas o gota dágua para a rebelião foi a negativa da ministra em relação ao encontro reservado com Lina Vieira deixando sob suspeita a credibilidade do órgão federal que tem mais de 26 mil servidores e arrecada por ano mais de R$ 856 bilhões. Ao final, quem está com a credibilidade afetada é a ministra. Vai ser difícil ou quase impossível ao Governo Lula, a partir de agora, tirar da imagem da Dilma o carimbo de mentirosa.
Será difícil ou quase impossível ao Governo Lula, a partir de agora, depois da rebelião de dirigentes da Receita Federal em solidariedade à ex-Secretária Lina Vieira, tirar da imagem da ministra Dilma Rousseff o carimbo de mentirosa.

Expediente Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva