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Jornal de opinião da Capital brasileira
HOME   Brasília - DF 30/08/2009

FIM DA FAMÍLIA KENNEDY
“The dream shall never die”. A frase, pronunciada durante a Convenção do Partido Democrata de 1980 pelo senador Ted Kennedy, falecido nesta semana vítima de um câncer cerebral, já era um exemplar raro da retórica cativante e, ao mesmo tempo, vazia de substância política, que impulsionaria algumas das campanhas do partido ao longo dos anos. O “Yes, we can”, de Barack Obama, dificilmente passa de uma versão reciclada e mais simplista da mesma. Edward (Ted) Kennedy era uma estrela democrata. Sua presença em eventos partidários era sempre capaz de desencadear de um certo frisson na platéia de militantes. Essa capacidade que ele tinha de representar algo muito maior do que ele mesmo o tornava, também, um alvo preferencial dos disparos republicanos. Sua morte marca o fim da família Kennedy enquanto força na política norte-americana. É, também, um triste desfecho para um imaginário reformista de democracia e justiça social que sempre acompanhou o senador. Um sonho curiosamente morto e enterrado, ao contrário da sentença proferida quase 30 anos atrás, bem antes do falecimento do democrata em si. Outra morte, a do irmão de Ted, não o mundialmente famoso John, mas o também promissor Robert,




pavimentou o caminho para a ascensão republicana e junto, com ela, uma poderosa guinada conservadora na política norte-americana, onde nem mais o sonho reformista moderado de Ted encontraria espaço. O senador por Massachusetts, contudo,

não deixou de acompanhar a guinada que o próprio partido democrata deu desde a década de 1970, por mais que sua farta experiência adquirida em décadas de Senado e a áurea reformista que ainda pairava sobre ele atraíssem a ira republicana e lhe dessem o apelido de Leão na Casa. Nos últimos anos, Ted, como liderança democrata, também exerceu seu papel no compromisso bipartidário que sustentou algumas das políticas mais agressivas e destrutivas levadas adiantes pelo governo norte-americano, da desrulamentação de mercados a guerras injustificáveis. Ironicamente, Ted deixa o Senado norte-americano justamente no momento em que a Casa analisa uma reforma do sistema de saúde que, ao mesmo tempo em que é ferozmente atacada pelos republicanos, como de costume costumam ser qualquer iniciativa democrata, é altamente questionável do ponto de vista de sua capacidade de gerar benefícios para os milhares de norte-americanos das classes menos abastadas que sofrem com os custos astronômicos para manter a saúde em dia. Uma reforma, que apesar do nome, talvez pouco tenha a ver com os ideais que um dia, honesta ou equivocadamente, Ted e, mais que ele, o nome Kennedy, expressaram.



FOGUETE- Coréia do Sul lançou, nessa semana, seu primeiro foguete espacial, dois meses depois de sua rival Coreia do Norte ter feito seu teste de mísseis e provocado fortes críticas internacionais. Mas o satélite sulcoreano não entrou em órbita como devia. Êxito considerado parcial.

Negociação de Paz
Guerra no Afeganistão
Pressão em Honduras
Presidente dos EUA, Barack Obama, deve anunciar na Assembléia Geral da ONU, em 23 de setembro, em Nova Iorque, volta à mesa de negociações para paz entre israelenses e palestinos.

Foto: Presidente Raúl Castro
Mais de 300 militares estrangeiros já morreram este ano até essa semana na guerra contra o terror no Afeganistão, fazendo 2009 o ano mais violento para eles. Um brutal atentado, nesse semana, matou 40 civis e deixou 70 feridos ao sul do Afeganistão. Há atualmente 100 mil militares estrangeiros no país, sendo 63 mil norte-americanos. Somente o presidente Barack Obama já mandou mais 30 mil soldados para ajudar na ofensiva contra os talebans concentrados no sul do país.
Estados Unidos começaram a fazer pressão, com suspensão de vistos a hondurenhos, para o presidente Roberto Micheletti devolver o Governo ao presidente deposto Manuel Zelaya.

Foto: Presidente Barack Obama

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