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FATORAMA
Jornal de opinião da Capital brasileira
HOME   Brasília - DF 30/08/2009

SE OS RISCOS ELEITORAIS DO PT DECORREM, EM BOA MEDIDA, DE UMA CRISE DE IDENTIDADE DO PARTIDO FRENTE A SEU IDEÁRIO HISTÓRICO, A PERSPECTIVA DE UMA RENOVAÇÃO RECORDE NA CÂMARA E NO SENADO É VISTA COMO DECORRÊNCIA DO ENORME DESGASTE ENFRENTADO PELO CONGRESSO ESTE ANO. MAS TAMANHA RENOVAÇÃO NÃO SERÁ SOLUÇÃO. APENAS DISTRAÇÃO.

As regras com que o governo pretende regular a exploração do petróleo na camada do pré-sal serão lançadas, nesta segunda, em festa com jeito e tamanho de evento eleitoral. Lula e Dilma à frente, naturalmente. Sobre os riscos, previsão de silêncio.

Decepção dos aposentados

Depois de muitos meses de negociações tensas e penosas, eis que finalmente o crescente contingente de aposentados brasileiros vai conhecer a proposta final do governo para uma nova política de reajustes de pensões e benefícios. Eles sonhavam com o fim do fator previdenciário. Não vão levar. Receberão oferta de um mecanismo de recuperação gradual de renda perdida ao longo de muitos anos. Mas apenas para os valores mais baixos.

GAZETILHA

Ao longo da história republicana e democrática nacional, o eleitor brasileiro tem o hábito de dar cartão vermelho a bom número de parlamentares que arriscam voltar às urnas.

De seu lado, boa parte do eleitorado acaba escolhendo seus parlamentares com base em critérios ou motivações clientelistas ou populistas, resultando disso alta frustração.

Mais que decepção com os legisladores escolhidos no pleito anterior, tal renovação resulta do distanciamento entre eleitor e eleito e do alheamento de ambos no exercício de cidadania.
O diagnóstico dos prejuízos desse quadro para o amadurecimento de uma democracia política já foi feito. É cada vez maior a necessidade de uma reforma político-partidária.
Os parlamentares, em sua maioria, trocavam de partido como quem troca de camisa, não tinham qualquer preocupação com o respeito a posturas filosóficas ou ideológicas. Em 2009, mais uma vez o Congresso evitou enfrentar o problema. Uma modesta lei eleitoral será aprovada até o mês que vem, para regular o pleito de 2010. Mantem-se a crise.
“Xô CSS” prestes a entrar em cartaz
Depois que o Senado rejeitou a continuidade do imposto do cheque, eis que o Governo tenta recriar a CPMF com o nome de Contribuição Social para a Saúde (CSS). O argumento é o compromisso de elevar os repasses para o setor de saúde, em meio a generalizada queda na arrecadação federal, resultado da crise financeira. Mas não impediu o aumento de gastos públicos estruturais, com custeio e pessoal. O movimento “Xô CSS” vai entrar em cartaz.

EXCLUSIVO
Os objetivos do PT nas eleições de 2010 são conhecidos e ambiciosos: colocar um presidente do partido pela terceira vez consecutiva no Planalto, ampliar o número de governadores, de senadores, deputados federais e estaduais. A crise política de 2009, no Congresso Nacional e país afora, ameaça transformar esses planos em devaneios.


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