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Jornal das Vozes Livres de Brasília
HOME   Brasília - DF 30/03/2008

ENCRUZILHADA DA ESQUERDA
PSOL realiza, nèste final de semana, em Brasília, sua primeira Conferência Eleitoral. Na pauta, discussões sobre conjuntura nacional, estratégias e políticas de alianças. As teses das correntes internas já foram publicadas. No evento, elas serão discutidas pelos delegados e colocadas em votação. Não é exagero dizer que o futuro da jovem legenda depende do pleito. Há uma intensa disputa pela definição do arco possível de alianças. Um grupo, aparentemente com mais poder de fogo, mais vin-culado à direção do par-tido e aos poucos mandatos parlamentares do PSOL, não hesita em defender coligações com partidos de centro-esquerda da base do Governo Lula. Outro, chamada Frente de Esquerda, formada nas eleições de 2006. É o exemplo clássico do eterno dilema que confronta os partidos de esquerda de todo o mun-do há décadas. Densidade eleitoral X Densidade ideológica. A história mostra que algumas das agremiações que escolheram a primeira opção até se deram bem. Mas chegaram ao poder para fazer nada muito diferente da direita. Pelo contrário, para copiá-la, em muitos sentidos. Esse dilema se reflete não só nas alianças, mas também na escolha de significativo, mas até agora minoritário, rechaça essa possibilidade e defende a reedição da programas e discursos de campanha. Parte do PSOL parece esquecer a importância que a opção de se aliar a partidos mais





moderados e até mesmo conservadores teve na transformação programática do PT. Esse erro é especialmente evidente nos principais expoentes do partido. A ênfase do discurso de Heloísa Helena e outros na “traição” de figuras personalizadas da liderança petista é indício crônico desse tipo de raciocínio. Como se às lideranças psolistas

fosse possível cometer os mesmos erros políticos, mas de alguma forma permanecer fiel à “causa” na redenção final, ou seja, vencidas as eleições. Como se aquilo que o PT se transformou hoje fosse resultado de uma mudança instantânea da vontade individual de Lula ou José Dirceu, e não o desfecho de um processo derivado das decisões coletivas do partido, cujos resultados não são mais do que a expressão da correlação de forças de ontem e hoje. Para ser justo, certa vez Heloísa Helena, ainda no PT, abriu mão de disputar o governo de Alagoas porque não queria fazer campanha ao lado do PL. Mas acreditar que o mesmo não se aplica a partidos da base do governo Lula funciona como uma espécie de admissão velada de que, talvez, este governo não seja tão ruim. E isso é uma contribuição para o enfraquecimento da coerência e do espaço discursivo do PSOL. Como reza o sábio provérbio: “Tão importante quanto saber aonde se quer chegar, é saber como se chegará até lá”. Ignorar o fato de que a jornada altera o viajante é equívoco imperdoável às esquerdas de hoje, principalmente após tantas lições histó-ricas. Abrir mão de preciosos segundos de tempo de televisão e votos rumo ao coeficiente eleitoral não é tarefa fácil. Nem é possível comparar a dimensão e a complexidade dos desafios do PSOL de hoje aos do PT de ontem. Por isso é crucial a necessidade de se fazer opções corretas.



OLIMPÍADAS - Por causa da violência do Governo chinês no Tibet, idéia do presidente francês, Nicolas Sarkozy, de boicotar abertura das Olimpíadas em Pequim, em agosto, pode evoluir na França e outros países para boicote aos jogos. Em toda a Europa, vem ganhando apoio da população.

Guerra no Iraque
Argentina em Crise
Tibetanos Mortos
Mais explosões de bombas, dezenas de mortos e centenas de feridos essa semana em Bagdá. É a democracia com segurança prometida pelo presidente Bush ao povo iraquiano. Sobram violência e terrorismo.

É grave a crise na Argentina, a primeira enfrentada pela presidente Cristina Kirchner. Depois de discursos agressivos, no estilo Lula da Silva, colocando ricos contra pobres, a bomba estourou: estão em choque milhares de produtores rurais e milhares de pobres e desempregados que vivem às custas do Bolsa-Família de lá. O que ela não esperava é o apoio da populaçao das cidades aos produtores, através de panelaços, por causa da falta de alimentos.
Governo chinês já prendeu quase 700 tibetanos rebeldes. Outros 190 já foram mortos. Dalai-Lama, líder tibetano no exílio, quer a presença da imprensa internacional para verificar o massacre chinês na região.


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