INFORMEXTRA

TCU aprofunda
investigação de
contas suspeitas
no Pan do Rio

Moderníssimo estádio João Havelange que custou R$ 400 milhões
om o encerramento do Pan do Rio, neste domingo(29), que teve a participação de 5.600 atletas de 42 países disputando 41 modalidades esportivas, em clima de festa e de celebração, ficando o Brasil entre os três campeões de medalhas, ao lado dos Estados Unidos e de Cuba, o Tribunal de Contas da União-TCU vai, agora, aprofundar as investigações, com poderosas e eficientes lupas, sobre “a superlativa diferença entre o orçamento inicial dos Jogos e os custos já contabilizados ou reconhecidos que, na esfera federal, chega a ser dez vezes superior”. Mesmo cauteloso, o ministro Marcos Vilaça, relator do acompanhamento do TCU, sentencia: “Falhas graves em sua organização, tanto na administração do tempo como na alocação de recursos, conduziram a um cenário desfavorável à boa utilização dos recursos públicos”. Para realização do Pan do Brasil no Rio, o Governo Federal bancou mais de 50% dos gastos. Dinheiro não faltou, mas faltou planejamento. Sem planejamento, sobraram atrasos nas obras. Com os atrasos, surgiram as emergências. Por efeito das emergências, licitações inviabilizadas. Sem licitações, ficou aberto o espaço para contratos inadequados ou irregulares. Daí a suspeitas de superfaturamento e de indícios de corrupção na manipulação dos recursos públicos. Pelo menos é o que indica o cotejamento entre os orçamentos originais e os realmente executados. Dois exemplos mais visíveis: Vila Panamericana, prevista em R$ 100 milhões, consumiu em R$ 336 milhões, três vezes mais; e estádio João Havelante, previsto em R$ 130 milhões, chegou aos R$ 400 milhões, três vezes mais. Até se considerado o superdimensionamento das obras para fortalecer a candidatura do Rio às Olimpíadas de 2016, são erros tecnicamente inaceitáveis e


Ministro Marcos Vilaça

bilhão não demonstra apenas a assunção, por parte do Governo Federal, da maior parcela de responsabilidade pelo evento, mas revela a incapacidade dos agentes envolvidos de preverem, antecipadamente e de forma realista, os dispêndios necessários
sem licitação, alterações posteriores aos contratos, serviços sem contratos formais e “a observância dos princípios constitucionais de publicidade, impessoalidade, moralidade e economi-cidade”. Em seu relatório, Vilaça esclarece que, nos últimos dois anos e meio
exagerados que estão gerando suspeitas. Conforme auditorias do TCU sobre o Pan desde 2004 e intensificadas este ano, são muitas e graves as falhas de planejamento e na aplicação dos investimentos. Orçamento original e total de R$ 900 milhões, para realização do Pan, acabou aumentando, surpreendentemente, para R$ 3,8 bilhões. Quadruplicou. Gastos do Governo Federal explodiram, assombrosamente, em R$ 1,8 bilhão. Em relatório sobre essas contas absurdas do Pan, o ministro do TCU, Marcos Vilaça, faz este alerta: “A evolução dos gastos de R$ 174 milhões para R$ 1,8
à realização de empreendimento dessa envergadura”.Até o final de agosto, o TCU espera receber do Ministério do Esporte e do Comitê Organizador do Pan, para sustentar seu relatório final de acompanhamento, relação completa e discriminada das planilhas atualizadas indicando orçamentos, cronogramas, responsabilidades, convênios, parcerias, contratações, licitações, aquisições, adequações, valores, pesquisas de preços, avaliações, objetos e demais dados referentes aos investimentos federais para conferir, mais detalhadamente, sobretudo contratações
em que fiscaliza o Pan, o TCU acompanhou a evolução do empreendimento, alertando para os riscos e determinando, quando possível, a adoção de medidas corretivas. E garante que, pela dinâmica dos acontecimentos, pela magnitude do evento, pela ausência de informações tempestivas e adequadas, e pela necessidade de aprofundar a análise de cada ponto controvertido, eventuais irregularidades não serão ignoradas ou deixarão de ser investigadas. Pelo contrário, TCU vai apurar e verificar se o Pan do Brasil teve ou não “a correta aplicação dos recursos públicos”.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Guillermo Piernes Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva