Roberto Teixeira


Compadre de Lula, Roberto Teixeira, descoberto em mentiras deslavadas sobre o rumoroso caso de venda ilegal da Varig, um negócio que lhe rendeu uma fortuna de mais de US$ 3.266 milhões.
MENTIRAS E OMISSÕES NO CASO VARIG
São maiores agora as suspeitas sobre interferência e participação do Governo na venda ilegal da Varig, após três grandes mentiras do compadre de Lula, Roberto Teixeira(foto), descobertas em menos de uma semana. Mais ainda porque o novo dono da empresa aérea, o Grupo Constantino, mesmo inadimplente, com dívida calculada em R$ 377 milhões em impostos e sem apresentar a obrigatória certidão negativa federal, recebeu sinal verde do Palácio do Planalto e conseguiu comprar a Varig. Cada vez mais, o negócio fraudulento deixa enrolados o Governo e o compadre de Lula, acusado de tráfico de influência na operação milionária.
Coube à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, numa entrevista no Palácio do Planalto, nessa semana, surpreender ao desvendar uma das mentiras de Teixeira. Calmamente, revelou que, pelo menos duas vezes, recebeu Roberto Teixeira em audiência, uma em dezembro de 2006 e outra em março de 2007, quando trataram sobre a venda da Varig. Mas os encontros foram omitidos de sua agenda oficial, contrariando a lei que determina o registro de reuniões entre autoridades públicas com representantes de interesses privados. De acordo com a própria Dilma, um desses encontros teve a presença, inclusive, de uma das filhas de Teixeira, Valeska, afilhada de Lula, que também participou, como advogada, da operação de transferência da VarigLog/Varig. Uma semana antes, de passagem pelo Senado, onde deveria prestar depoimento que foi suspenso sem nova data, Teixeira fez questão de aproveitar os holofotes e negar reuniões com a ministra Dilma Rousseff dizendo que mantinha com ela o distanciamento de uma relação formal. Dilma é acusada, pela ex-diretora da Agência Nacional de Aviação-Anac, Denise Abreu, de ter interferido, diretamente, em favor do fundo norte-americano Matlin Pat-terson, suspeito de ferir a lei ultrapassando o limite de 20% de participação de capital estrangeiro em empresa aérea brasileira. Outra inverdade agora conhecida: Teixeira negou o envolvimento do compadre Lula no negócio da VarigLog/Varig, afirmando, enfaticamente, que o Presidente tem mais é que cuidar do Brasil e não se intrometer em relações exclusivamente comerciais. Mas, as investigações e descobertas dessa semana mostram que três de seis visitas de Teixeira ao presidente Lula no Palácio do Planalto ocorreram durante as negociações de venda da empresa aérea para o grupo americano e três sócios brasileiros: agosto de 2006, dezembro de 2006, janeiro de 2007, fevereiro de 2007, março de 2007 e abril de 2008. Essas audiências também não constaram da agenda oficial do Presidente. E como mentira tem perna curta, uma terceira: oito dias depois de ter declarado, no Senado, que havia recebido apenas US$ 350 mil como advogado na operação de venda da VarigLog, o próprio Teixeira, pressionado, acabou admitindo que, na verdade, faturou US$ 3.266.825 milhões pelos serviços prestados. Justificou o recebimento da fortuna alegando que “os advogados ganham por hora de trabalho”. Agora, ampliando ainda mais o escândalo, nova irregularidade no negócio já está sendo investigada: exatamente no dia 28 de março deste ano, quando Teixeira teve novo encontro com o presidente Lula, foi sacramentada a venda da Varig para o grupo do empresário Nenê, dono da Gol, pelo valor de US$ 320 milhões. Como foi possível esse negócio, sem qualquer obstáculo, mesmo com o Grupo Constantino, inadimplente junto à Receita Federal, com dívida superior a R$ 377 milhões? Apenas para livrar a Varig da falência ou para atender aos interesses do desenvolto compadre de Lula? Pior: essa venda ilegal, cheia de fraudes e mentiras, foi aprovada nessa semana pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Como pode? Pelo jeito, basta ser amigo do Rei.
Com seu tráfico de influência no Governo, Teixeira foi decisivo para o Grupo Constantino comprar a Varig, mesmo inadimplente junto ao Governo, devendo R$ 377 milhões em impostos federais.

Expediente Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva