BALCÃO DE NEGÓCIOS PELA CPMF
Há cerca de dois meses, apresentei meus argumentos contra a prorrogação da CPMF até 2011. De lá para cá, o Governo Federal usou seu rolo compressor político e aprovou a medida na Câmara dos Deputados. Fez isso transformando o processo num absurdo balcão, liberando recursos públicos para parlamentares que votassem pela CMPF. Fez isso atacando a oposição. Atacar, fazer piadas, chantagear, ameaçar. Não é dessa forma que se negocia, que se abre o caminho para composição. Sinceramente, não tenho nenhuma dificuldade para apoiar medidas que tenham origem no Poder Executivo. Foi assim que relatei o projeto que altera aspectos da Lei das Licitações. Fiz mudanças com o objetivo de aperfeiçoar o texto original, mas mantendo o espírito do que veio do Governo. Diante disso, quero enumerar apenas cinco justificativas para o Senado Federal rejeitar a prorrogação da CPMF. A primeira delas é óbvia: o Governo Federal dispõe de recursos para compensar a perda da CPMF. Só este ano, a arrecadação federal cresceu quase 10%. Isso representa cerca de R$ 40 bilhões a mais nos cofres da União, valor equivalente ao previsto para o “imposto do cheque” em 2008. A segunda razão é o desvio de função da CPMF, que nasceu para financiar com exclusividade a área de Saúde, num momento em que a economia brasileira ainda se ajustava ao período posterior ao Plano Real e à seqüência de crises internacionais. A terceira justificativa para meu voto contra a CPMF é que nunca na história desse País um Governo gastou tanto, sem que isso represente


Jarbas Vasconcelos *



"O Governo Federal dispõe de recursos para compensar a perda da CPMF. Só este ano, a arrecadação cresceu quase 10%. Isso representa cerca de R$ 40 bilhões”
melhorias na infra-estrutura, seja ela econômica ou social. O Governo Lula aumenta despesas, mas as estradas estão esbu-racadas, os portos sucateados, os aeroportos subdimensionados, a violência sem controle e a saúde em crise permanente. A quarta razão tem a ver com a questão da sonegação. Alguns afirmam que a CPMF é fundamental para combater as fraudes, pois permite acompanhar a movimentação financeira. Devo concordar, mas para manter esse acompanhamento a contribuição não precisa ser de 0,38%. Poderia ser até de 0,001% manteria seu papel de combate aos sonegadores. A quinta e última argumentação, mas não menos importante, é o aspecto anacrônico da CPMF, pois ela incide até sobre outros impostos. Se qualquer contribuinte receber a restituição do Imposto de Renda e for sacá-la da conta corrente vai pagar a CPMF. Paga também sobre o ICMS que está embutido no preço da mercadoria. Não me intimida a chantagem política, não me assusta a prepotência governamental. O que me surpreende é a capacidade do Governo de se colocar como vítima, de não perceber que os verdadeiros vilões não estão aqui no Senado. Os reais vilões se encontram dentro da máquina governamental, instru-mentalizando órgãos públicos, desviando recursos e impedindo que os brasileiros paguem menos impostos e tenham um serviço público de qualidade.
* Jarbas Vasconcelos, senador do PMDB de Pernambuco.

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