Marco Maciel


Estudo da Fundação Getúlio Vargas mostra que o Governo Lula, além de gastar mal 20% dos recursos da CPMF, ainda deixa de aplicar outros 20% que poderiam atender necessidades emergenciais do País.
SALVAÇÃO DO SENADO É FIM DA CPMF
Caso o Senado ceda às pressões e chantagens do Planalto e aprove a prorrogação da CPMF, estará jogando o que resta de sua credibilidade no fundo do poço e ficará em posição igual à da Câmara, um poder falido, totalmente desacreditado pelo público e transformado em apenas um departamento do Governo. Para o senador Marco Maciel(foto), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Casa, onde o relatório da CPMF deverá ser analisado e votado até dia 9 de novembro, “é fundamental que o Senado esteja em sintonia com a sociedade” e, portanto, precisa decidir pela extinção do imposto, como desejam 95% dos brasileiros.

Como o Governo avalia que só tem garantidos 46 votos no Senado para manter seu cofre cheio de R$ 40 bilhões anuais da CPMF, necessitando de mais três votos para vencer a batalha e ainda evitar o risco de alguma infidelidade, está jogando pesado para conseguir pelo menos seis votos entre os que são contra o famigerado imposto. Embora Lula venha mantendo, publicamente, discursos de que não negocia nem barganha com o senadores, nos bastidores sua determinação é o contrário. Seus ministros das Relações Institucio-nais, Walfrido dos Mares Guia, e da Fazenda, Guido Mantega, e seus líderes no Congresso têm feito tudo para conquistar adesão de senadores à CPMF: negociações, negociatas, con-chavos, pressões, chantagens, ataques e ironias. Vale tudo pela CPMF. Com sua longa experiência e sua habitual serenidade, o presidente da CCJ do Senado, Marco Maciel, acompanha tudo atentamente e em declaração ao Fatorama justifica a sua posição: “Somos contra a prorrogação da CPMF. É fundamental que o Senado esteja em sintonia com a sociedade brasileira e, portanto, o que foi criado como provisório não deve se converter em permanente. Para a economia atingir o vigor atual foi necessário um forte ajuste nas contas públicas iniciado ainda no Governo Itamar Franco, pelo então ministro da Fazenda, Fernando Henrique. E a CPMF constituiu-se num importante instrumento para isso”. Diante do cenário atual, 11 anos depois da criação da CPMF, com a economia do Brasil em crescimento, proporcionando recordes históricos de arrecadação de impostos, que deixam os cofres do Governo abarrotados de dinheiro, prorrogar o imposto, como exige o presidente Lula, é manter a sociedade sob um sacrifício desnecessário. “Hoje, a situação é outra: alcançou-se o equilíbrio fiscal e anualmente verificamos recordes de arrecadação sustentados, inclusive, pelo crescimento da carga tributária. Nesse contexto, a prorrogação da CPMF não faz mais sentido, já que sua extinção trará significativa desoneração para todos os contribuintes, maior estímulo à atividade econômica e, por fim, mais receitas para o Governo”, arremata Marco Maciel. Curiosamente, estudo da Fundação Getúlio Vargas divulgado, nessa semana, mostra que, além de estar gastando 20% da CPMF onde bem entende, inclusive na farra de empreguismo, deixando de lado necessidades emergenciais do País, o Governo Lula, incrivelmente, ainda tem deixado de aplicar outros 20% do imposto para fazer superávit primário. Enquanto isso, o País está sofrendo horrores com estradas esburacadas, portos sucateados, aeroportos em crise, violência generalizada e a saúde em caos nunca visto. Obviamente, em crise há vários meses e bastante desgastado, o Senado precisa recuperar sua credibilidade: 19% dos brasileiros já querem seu fechamento e 45% já dizem que ele é dispensável. Eis a chance do Senado: acabar com a CPMF. Do contrário, perderá o resto de sua credibilidade e também acabará como poder de fato na opinião pública.
Senado tem a chance de iniciar a recuperação de sua credibilidade determinando a extinção da CPMF rejeitada por 95% dos brasileiros ou então passará a ser identificado como a Câmara, um poder falido.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Guillermo Piernes Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva