Luiz Eduardo Greenhalgh


De acordo com a Polícia Federal, lobistas de Daniel Dantas, liderados pelo ex-deputado petista Luiz Greenhalgh, exigiram US$ 260 milhões para viabilizar compra da BrasilTelecom pela Oi.
GOVERNO EM GRANDE ENCRENCA
Depois do erro do presidente Lula, ao fazer publicamente exigências sobre operação da Polícia Federal contra o banqueiro Daniel Dantas e sua quadrilha especializada em crimes financeiros, o Governo tenta agora fazer silêncio e manter distância do escândalo, mas o estrago já está feito. Pior: pelos relatórios da PF, o ex-deputado federal petista Luiz Eduardo Greenhalgh(foto), candidato do Planalto derrotado à Presidência da Câmara, é o líder de um grupo de tráfico de influência junto ao Governo, que exigiu US$ 260 milhões para a viabilização da compra da BrasilTelecom pela Oi, formando, assim, um caixa dois para futuras campanhas eleitorais do PT.
Para a Polícia Federal, Daniel Dantas contava com o seguinte o trio de lobistas junto ao Governo: Luiz Gree-nhalgh, petista de car-teirinha e amigo pessoal do presidente Lula, da ministra Dilma Rousseff e do chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho; Humberto Braz, que está preso em São Paulo, braço direito de Daniel Dantas; e Guilherme Sodré, publicitário, amigo do governador petista da Bahia, Jacques Wagner, ex-ministro do Desenvolvimento Econômico e Social e das Relações Ins-titucionais. Envolve até o ministro da Sealopra, Manabeira Unger, que foi assessor da Bra-silTelecom. Pelas investigações da PF, está claro o tráfico de influência desse grupo na ante-sala do presidente Lula em favor do Grupo Opportunity, de Daniel Dantas. Desde que estou rou o escândalo, graças à operação policial Satiagraha, tem sido grande a confusão, incluindo ações conflitantes do Governo e até uma pequena crise no Judiciário. Daniel Dantas, principal acusado, foi preso e solto, preso e solto. Pessoal da CUT, braço do PT, chegou a pedir o impeachment do presidente do Supremo, Gilmer Mendes, arquivado pelo Senado. Chefe da operação, delegado Protógenes Queiroz, cobrado, publicamente, pelo presidente Lula, foi afastado do cargo e saiu denunciando pressões. Por ordem de Lula, divulgação de apenas quatro minutos de uma fita de três horas de reunião da PF só fez aumentar suspeitas sobre atitudes do Governo. Até agora, apenas 13 pessoas do esquema estão indiciadas por gestão fraudulenta e formação de quadrilha. Não vai ser fácil a tarefa do novo delegado-chefe da operação, Ricardo Saadi. Por isso, a Polícia Federal montou uma força-tarefa de 35 delegados para ajudá-lo na análise de 200 discos rígidos de computadores e uma tonelada de documentos apreendidos em casas e escritórios de Daniel Dantas, seu parceiro o mega-investidor Naji Nahas, ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta e de mais 21 investigados por vários crimes financeiros e corrupção. Ao mesmo tempo, mais de 100 pessoas já estão sendo investigadas pela Receita Federal por envolvimento com o banco Opportunity em sonegação fiscal e evasão de divisas. Para a Polícia Federal e para a Receita, o problema é que o esquema de Daniel Dantas é um verdadeiro labirinto formado por centenas de empresas. Para o Governo Lula, o escândalo Daniel Dantas virou uma grande encrenca. Até onde vai o comprometimento nesse esquema dos ministros Dilma Rousseff e Mangabeira Unger, do ex-ministro Jacques Wagner e do chefe de gabinete presidencial, Gilberto Carvalho? À campanha eleitoral de quem seriam destinados os US$ 260 milhões exigidos pelos lobistas chefiado pelo ex-deputado petista Luiz Greenhalgh, que aparece como elo entre Governo e o esquema de Daniel Dantas? Seriam os US$ 260 milhões o motivo de tanto interesse do Governo na operação ao ponto de assumir o compromisso de mudar a legislação das telecomunicações para permitir o meganegócio de US$ 6,7 bilhões? Preocupado, o Governo agora ameaça processar quem vazar o conteúdo inteiro da fita de três horas da reunião da Polícia Federal sobre a operação Satiagraha, que já virou piada popular sendo chamada de “solta e agarra”. Mais solta do que agarra.
Conforme investigações da PF, os US$ 260 milhões exigidos pelos lobistas para facilitar negócio bilionário junto ao Governo seriam destinados à caixa dois de futuras campanhas eleitorais do PT.

Expediente Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva