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FATORAMA
Jornal de opinião da Capital brasileira
HOME   Brasília - DF 27/07/2008

O FALSO CENTRO
candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, foi acusado por rivais e correligionários, por razões distintas, é claro, de oportunismo eleitoral ao esboçar, nos últimos dias, o que seria um suposto deslocamento de suas posições políticas para o centro. A polêmica foi impulsionada pela decisão do senador de apoiar restrições menores a procedimentos de escuta telefônicas em nome da segurança interna, de sinais contraditórios sobre suas posições em relação a acordos de livre comércio, principalmente o Nafta, e sobre sua aparente indecisão em relação a uma programação temporal para a retirada do grosso das tropas norte-americanas do Iraque. O que impressiona no caso não são as posições de Obama. É o conceito de centro eleitoral do sistema político dos Estados Unidos. Inúmeras pesquisas demonstram que a ampla maioria dos norte-americanos, embora apóie medidas que visem a aperfeiçoar a segurança interna do país, tem preocupações quando isso implica de alguma forma em abrir mão de liberdades e, principalmente, de privacidade. Da mesma forma, a impressão que acordos bilaterais de liberalização comercial deixou nos inúmeros trabalhadores que perderam seus empregos ao assistirem impotentes a indústria do país migrar para nações onde os




salários são mais baixos, os tributos menores e a legislação trabalhista e ambiental mais flexível também não é boa. A guerra no Iraque, há tempos, não é nem mais debate. Mesmo no auge da corrida pela invasão, a maioria já defendia a determinação de um prazo fixo para a retirada das tropas. O que, claro, o presidente George W.

Bush nunca fez. Hoje, a maioria já defende o retorno dos combatentes imediatamente, o que nem Obama muito menos McCain estão dispostos a fazer. Ora, se o senador candidato pelos democratas parece caminhar a passos longos rumo às mesmas posições do concorrente republicano, não é porque está a perseguir o centro eleitoral. Este já ficou à sua esquerda faz tempo. O que Obama faz, na verdade, deliberada-mente ou não, é testar ao extremo a estabilidade do rígido sistema bipartidá-rio norte-americano. O deslocamento dos democratas, não para o centro, mas para a direita mesmo, tem origens que remontam até mesmo à década de 1970. Obviamente, é um processo que se aprofundou de maneira muito mais intensa nos últimos anos. A pergunta óbvia que emerge é: Por quanto tempo podem dois partidos que se alternam no poder perseguir com afinco políticas que divergem da opinião da vasta maioria do eleitorado e seguir incólumes? Aparentemente, por muito tempo ainda. A já frágil legitimidade do sistema como um todo, entretanto, pode não passar sem arranhões das eleições deste ano. O movimento de esperança que se formou em torno de Obama se esvai na mais pura demonstração de superficialidade. O espetáculo de retórica e elegância, contudo, deve continuar.



PETRÓLEO - Depois de atingir o pico de US$ 147 o barril, na semana passada, agora o petróleo está recuando. Os Estados Unidos anunciaram aumento de 2,9 milhões de barris no estoque de gasolina contra expectativas de 2,2 milhões. E esse aumento nos estoques está puxando o preço para baixo.

Bush e o Bêbado
Explorador Espiritual
Inferno de Cristina
Ao analisar a crise de crédito que vem assolando o mundo, o presidente George Bush declarou, nessa semana, que o mercado ficou bêbado e agora está de ressaca. Bush já foi preso uma vez por dirigir embriagado.

Como ator, de barbas e cebeleira fartas e brancas, Dragan Dabic, simpático, ele enganou a Sérvia durante muito tempo difundindo a medicina alternativa. Mas foi preso nessa semana. Era, na verdade, Radovam Karadzic, o Carniceiro da Bósnia, acusado pela execução de oito mil bósnios muçulmanos. Agora, o falso guru espiritual, que se escondia praticando cirurgias bioenergéticas, vai aguardar julgamento do Tribunal Internacional de Haia para a antiga Iugoslávia.
Presidente da Argentina, Cristina Kirchner, está vivendo um tremendo inferno astral: além de ter sofrido dura derrota diante dos produtores rurais, precisa controlar a inflação e evitar uma grave crise energética.


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