Henrique Meirelles


Banco Central do Brasil já gastou quase R$ 23 bilhões, inclusive R$ 8,5 das reservas internacionais, para barrar escalada do dólar, um dos principais efeitos desse início da crise financeira global.
CRISE É TSUNAMI, NÃO É MAROLINHA
Finalmente, até para o Governo brasileiro, que andou fazendo contorcionismo de exagerado otimismo, crise global é grave e já está no País. Depois de dizer que a crise era com o Bush, que ela não atravessaria o Atlântico, que seria imperceptível no Brasil e que, se chegasse, seria marolinha, o presidente Lula, pela primeira vez, nessa semana, admitiu que pode fazer cortes no Orçamento de 2009, em conseqüência do colapso financeiro mundial. Tirou a fantasia e passou a adotar discurso realista, após o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles(foto), anunciar que já gastou quase US$ 23 bilhões para tentar, sem êxito, segurar a escalada do dólar.

Embora com toda essa artilharia monetária pesada, desde o dia 19 de setembro, quando chegou a vender US$ 500 milhões, até 20 de outubro, sendo US$ 8,5 bilhões das reservas internacionais, o ministro Henrique Meirelles reconheceu, em depoimento para 120 deputados no plenário da Cãmara Federal, que ainda não vem obtendo o êxito desejado. Mas, explicou que a intervenção do Banco Central brasileiro tem sido muito menor do que a de outros bancos centrais nos demais países afetados pela crise. De qualquer forma, como o tempo entre a crise instalada e seus efeitos leva uns três ou quatro meses, o Governo já trabalha com a possibilidade de cortes no Orçamento do próximo ano. Podem chegar aos R$ 12 bilhões de um total de investimentos “cortáveis” que somam R$ 100 bilhões. Vai de pender, também, de reavaliação de estimativa de arrecadação de impostos, que este ano já soma R$ 508 bilhões, mas que deve cair no próximo ano por causa da crise mundial. Exatamente no mesmo momento em que o presidente do Banco Central dava suas explicações na Câmara, o Fundo Monetário Inter-nacional(FMI) apresentava nova avaliação da crise: investidores apresentam reduzido apetite para injetar novos recursos nos bancos, instituições financeiras européias perdem forças para levantar mais dinheiro, aumenta a necessidade de ajuda estatal ao sistema financeiro mundial, há uma desaceleração no processo de recapitalização e um maior número de bancos deverá falir nos próximos meses, sobretudo na Europa. Por isso, o Banco Central americano anunciou, nessa semana, mais US$ 540 bilhões de financiamento para rolagem de dívidas de bancos e empresas que estão em dificuldades. De acordo com o FMI, o desgaste do setor bancário está se infiltrando na economia real porque empresas e consumidores estão sendo barrados no acesso ao crédito. Países que vinham experimentando surtos de crescimento no mercado imobiliário, como Estados Unidos e Reino Unido, sofrerão mais o desaquecimento da economia. Conforme relato do FMI, haverá uma desaceleração de grandes proporções em quase todos ao países fazendo com que a maioria passe por forte recessão em 2009, seguida gradual recuperação. Mais: economias emergentes, como a do Brasil, também já estão sentindo a pressão da crise e crescerão muito menos no próximo ano. Já o ministro Henrique Meirelles, em seus esclarecimentos na Câmara, disse que com esse agravamento da crise nos mercados internacionais, os bancos brasileiros reduziram em 13% a concessão de créditos nos primeiros dias de outubro. Mas, argumentou, que a situação não é preocupante pois o volume disponibilizado pelas instituições financeiras ainda está acima do registrado em 2007. Em valores absolutos, o volume de crédito fechou agosto com R$ 1,11 trilhão, equivalente a 38% do PIB. Para o presidente do Banco Central, “pela primeira vez o Brasil tem um dos melhores desempenhos entre os países afetados pela crise” porque o Governo deixou de ser devedor e passou a ser credor externo e porque tem mais de US$ 200 bilhões. Na verdade, tinha, porque a crise já engoliu mais de 8,5 US$ bilhões e não é marolinha. É, um tsunami.
Para o presidente do BC, Henrique Meirelles, o Brasil, com R$ 200 bilhões de reservas internacionais, pela primeira vez, tem um dos melhores desempenhos entre países afetados pela crise mundial.

Expediente Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva