FATOSíntese

Tribunal sobre
Mensalão expõe
quadrilha do PT
no Governo Lula
Plenário do Supremo no julgamento da quadrilha do PT e seu Mensalão
“Não é possível imaginar que esquema de tamanho porte, que tinha entre os objetivos a obtenção de apoio parlamentar e político, tenha existido sem o envolvimento de algum membro do Governo Federal e do partido do Governo”. Com essa avaliação séria, objetiva e destemida, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, em sustentação oral perante os dez ministros do Supremo Tribunal Federal, acusou os 40 integrantes da quadrilha do PT, pelas operações ilegais do Mensalão, escândalo de corrupção que abalou o primeiro Governo Lula e que é considerado o maior da história da República. Segundo o Procurador, eles agiram como integrantes do “submundo do crime”, desviando mais de R$ 55 milhões em recursos públicos e privados, e, por isso, pediu ao Supremo a abertura de processo criminal contra todo o grupo protagonista do Mensalão, descoberto em 2005. De acordo com o procurador Antonio Fernando de Souza, que abriu as sessões de julgamento do Mensalão, o mais importante na história do Supremo, todos os denunciados, especialmente o então ministro da Casa Civil do Governo, José Dirceu, o presidente do PT, José Genoino, o secretário-geral do partido, Sílvio Pereira, e o seu tesoureiro, Delúbio Soares, sabiam da origem dos milhões que abasteceram o valérioduto, operado pelo empresário Marcos Valério, por delegação do PT. Destacou que todos os repasses de dinheiro, para compra de apoio de parlamentares aliados em votações no Congresso de interesse do Governo, foram feitos à margem dos procedimentos bancários mais ágeis e seguros, utilizando-se de sacolas, sacos de lona e malas, entregues em locais inadequados, configurando prática típica do submundo do crime. Como já tinha feito em sua denúncia de 136 páginas, entregue ao

Supremo em março de 2006, Antonio Fernando de Souza apontou o ex-ministro José Dirceu como chefe da “organização criminosa” responsável pelo Mensa-lão. Ressaltou que o deputado federal José Genoino desempenhou papel político indispensável para o sucesso do grupo. Descreveu Delúbio

Procurador Antonio Fernando de Souza no STF
Soares como “principal interlocutor junto aos demais núcleos da quadrilha”, pois indicava quem deveria receber dinheiro, quanto, quando e onde. Referiu-se ao Marcos Valério como comparsa dos dirigentes petistas. Eles arrecadaram e manipularam recursos obtidos através de empréstimos bancários irregulares e de contratos fraudulentos do Banco do Brasil, Ministério dos Transportes e da Câmara dos Deputados, então presidida pelo deputado João Paulo Cunha(PT-SP), um dos denunciados. Depois da
exposição do Procurador, o ministro do Supremo, Joaquim Barbosa, começou a ler seu relatório sintetizando a denúncia e a defesa dos investigados. Somente após o seu relatório de 500 páginas e seu voto, acolhendo ou não a denúncia, os demais ministros(nove) votarão decidindo o destino dos 40 acusados da quadrilha do PT. Até o início da tarde dessa sexta-feira(24) e antes do fechamento desta edição de Fatorama, expectativa geral era a de que somente nesta segunda-feira(27) seria adotada e conhecida a decisão do
Supremo, de aceitação ou não da denúncia do procurador-geral da República e abertura de ação penal contra os 40 da quadrilha do PT. Isso porque todos os acusados têm direito a 15 minutos de defesa em plenário e as intervenções dos seus advogados começaram com atraso no primeiro dia de sessões. Como já era esperado, os advogados de Dirceu, Genoino, Delúbio e Sílvio negaram tudo. Quase com a mesma argumentação disseram que seus clientes são inocentes e tentaram desqualificar a denúncia do Procurador classificando-o como “peça de ficção”.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Guillermo Piernes Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva