José Dirceu


Complexo julgamento do Supremo sobre a quadrilha do PT que operou o Mensalão do Governo Lula, o maior escândalo de corrupção da história da República, poderá demorar mais de dois anos.
MENSALÃO DO PT EM JULGAMENTO
Dois anos e dois meses depois de descoberto maior escândalo de corrupção da história do Brasil, que abalou profundamente o Governo Lula, o Supremo Tribunal Federal(STF) começou, na última quarta-feira, o seu mais importante julgamento na história da República: o caso Mensalão, esquema de quadrilha do PT, chefiada pelo então ministro da Casa Civil, José Dirceu(foto), que desviou, no mínimo, R$ 55 milhões de recursos públicos para pagamento de compra de votos de parlamentares na aprovação de projetos do Governo. Mais de 80% dos brasileiros desejam que os 40 quadrilheiros em julgamento acabem severamente punidos e na cadeia.

Decidida pelo Supremo a ação penal contra os acusados, julgamento poderá demorar dois ou três anos. Mas em quase 15 mil páginas de investigação, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal sustentam consistentes indícios de vários delitos cometidos pela organização criminosa do PT dentro do primeiro Governo Lula: peculato, gestão fraudulenta, corrup-ção, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e formação de quadrilha. “Uma sofisticada organização criminosa”, segundo qualificação do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Por isso mesmo, o julgamento no Supremo é complexo. Somente o voto do relator, ministro Joaquim Barbosa, tem 500 páginas. De quase 200 beneficiados pelo desvio do dinheiro público apenas 100 chegaram a ser investigados pelo Congresso. Dezenas conseguiram escapar ilesos. Dos 19 deputados, comprovadamente envolvidos com a roubalheira, apenas três foram cassados, quatro renunciaram e 12 tiveram vergonhosa absolvição da Câmara. Alguns conseguiram até ser reeleitos. E acabaram alvo do Supremo 40 denunciados pelo Ministério Público. Objetivo da quadrilha: “Arrecadar R$ 1 bilhão”, conforme revelação do ex-secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, para garantir apoio às campanhas municipais petistas de 2004, cobrir as dívidas de R$ 32 milhões dos aliados nos Estados em 2002, saldar empréstimo bancário de R$ 50 milhões do PT, resolver dívidas de R$ 120 milhões do PT com o empresário Marcos Valério, dono da agência de publicidade SMPB, e proporcionar condições para o partido permane cer no poder. Valério e Delúbio Soares, secretário de Finanças do PT, aparecem como os dois principais operadores do esquema. Quando estourou o escândalo, denunciado pelo então deputa federal Roberto Jéfferson(PTB-RJ), os dirigentes petistas combinaram negar tudo “para não derrubar a República sindical”. Dessa estratégia participou o próprio presidente Lula, que seria o principal beneficiado, politicamente, pelo esquema da quadrilha do PT. Depois de relutar muito em prestar qualquer esclarecimento à Nação, Lula acabou adotando, em agosto de 2005, uma frase que passou a ser quase uma aberrante sentença filosófica em todos os momentos nos quais foi obrigado a se referir ao Mensalão: “Fui traído e não sabia de nada”. Como, se tudo foi armado e articulado ao lado do seu gabinete no Palácio do Planalto? Defesa de Lula sempre foi uma flagrante contradição em relação ao que dizia e repetia o seu poderoso ministro José Dirceu: “Tudo o que faço é por ordem do Presidente e nada faço sem informá-lo antecipadamente”. Lula nunca convenceu a sociedade brasileira de que esteve alheio ao esquema, mas foi reeleito graças ao Bolsa-Família, programa assistencialista, populista e demagógico que atende 45 milhões de pobres, miseráveis e analfabetos. Dirceu perdeu o mandato de deputado federal. Mas ele e os 39 integrantes da quadrilha, sob julgamento do Supremo, já estão sendo cobrados, judicialmente, pelo que fizeram e terão que devolver, no mínimo, R$ 55 milhões roubados dos cofres públicos. E ainda poderão ser condenados de 13 a 50 anos de reclusão pelos crimes cometidos contra a Nação.
Quadrilheiros do Mensalão do PT terão que devolver, no mínimo R$ 55 milhões aos cofres públicos e ainda poderão ser condenados de 13 a 50 anos de reclusão pelos seus crimes contra a Nação.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Guillermo Piernes Renato Riella
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