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Jornal das Vozes Livres de Brasília
HOME   Brasília - DF 26/08/2007

SE NÃO PODE VENCÊ-LOS...
ais uma vez, o PSDB mostrou, essa semana, que está longe de alcançar a unidade partidária e apresentar ao eleitorado brasileiro uma proposta minimamente consistente e competitiva em 2010. Após um breve período de absorção da derrota do ano passado, em que a análise hegemônica dentro do partido era de que o tucanato devia se aproximar do “povo” e reforçar os laços com a intelectualidade acadêmica, as fraturas internas e a crise de identidade cada vez mais tomam de assalto o partido. Para se ter uma idéia, a leitura que vêm do Palácio do Planalto é de que a aproximação com os setores ligados à Aécio Neves e José Serra é uma das chaves para a aprovação da CPMF. Interessados nos farelos do bolo tributário e na boa vontade do Tesouro Nacional com seus respectivos Estados, os dois governadores estariam dispostos a olhar para o tributo de forma mais dócil do que muitos esperam deles, muito embora o imposto tenha sido criado por FHC. Mais uma vez, a oposição amena serve para diferenciar ainda mais a atuação do partido em relação aos velhos companheiros do Democratas, que se mostram muito mais aguerridos e coerentes. Só que, com 2010 no horizonte, é exatamente Aécio e Serra que se apresentam como as candidaturas altamente competitivas do partido, o que poderia acabar por





inviabilizar uma ruptura do DEM, que se veria fortemente inclinado a mais uma vez fazer papel de coadjuvante diante da falta de um candidato próprio igualmente competitivo. O que nos leva a outro ponto: Não é de hoje que se desenha uma grande aproximação entre PSDB e PT. Muito

menos pelos nomes, não obstante o trabalho diplomático de alguns membros de ambas agremiações, mas muito mais pela política em si. No caso, o intenso deslocamento do Partido dos Trabalhadores para a direita. Mas a imagem refletida no espelho com tamanha semelhança causa também distorções. Tanto que é notório o entendimento e o discurso tucano de que Lula é poderoso nas urnas com base em muitos dos programas, políticas e diretrizes criadas ou inicialmente implementadas por FHC. Que o PT “roubou” as idéias e soube capitalizá-las a seu favor. Em recente reunião da executiva tucana, o principal diagnóstico dos caciques do partido era de que o PSDB precisava se “comunicar” melhor. Leia-se, mostrar ao povo de que Lula, seu tão adorado líder, não passa de uma manifestação carismática do que pertence de direito ao partido. Tal análise da conjuntura conduz a um problema lógico virtualmente instransponível. Ora, se Lula nada mais fez do que concretizar com mais sucesso a plataforma tucana, o PSDB se diz oposição e quer assumir o seu lugar em 2010 exatamente para que? Não seria melhor juntar forças? Em muitos sentidos, é o que acontece há certo tempo.

*Estudante de Ciência Política na UnB e de Jornalismo no UniCeub.

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