Mesmo no recesso parlamentar, novas denúncias estão surgindo tornando insustentável
a situação do presidente do Senado, José Sarney, apesar de blindado pelo
presidente Lula em jogo de interesse do Governo. |
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ENCRUZILHADA: RENÚNCIA OU CASSAÇÃO |
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Mesmo
com toda a blindagem do presidente Lula e seus ministros,
o presidente do Congresso, senador José Sarney(foto), cercado
de denúncias por todos os lados, inclusive familiar, está
em situação insustentával e já não pode mais resistir ao que
manda o bom senso: renunciar ao cargo. Com as novas revelações,
nessa semana, sobre seu envolvimento em práticas de nepotismo,
somando-se às de nomeações irregulares, tráfico de influência,
omissões à Justiça e desvios de recursos públicos, nem o simples
licenciamento resolve mais. Não lhe resta outra alternativa:
caso não renuncie, o senador José Sarney poderá acabar sofrendo
processo de cassação.
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Embora tenha anunciado 47 medidas administrativas para saneamento
do Senado, em sua maioria como resposta às denúncias veiculadas
pela imprensa, destacando-se a anulação de 663 atos secretos
de vários nomeações irregulares, o presidente José Sarney está
no meio do furacão que não reduz sua força nem mesmo neste recesso
parlamentar que vai até 05 de agosto. Gravações feitas pela
Polícia Federal, com autorização judicial, reveladas nessa semana,
mostram o tráfico de influência e prática do nepotismo da família
Sarney no Senado. Uma delas indica a atuação decisiva do senador
na aprovação pelo Governo, em tempo recorde, de mais um canal
de televisão para o Grupo Mirante, de sua propriedade no Maranhão.
E outra comprova a nomeação do namorado de uma neta de Sarney
para o cargo no |
Senado por ato secreto. Juntam-se a essas numerosas denúncias
escabrosas nos últimos dois meses: mais de R$ 1,5 bilhão em
gratificações para muitos dos 6 mil servidores do Senado; mais
de R$ 6 milhões em horas extras por jornada adicional em pleno
recesso parlamentar; manutenção de 181 cargos de diretores,
até diretor de garagem, formando a maior diretoria do mundo;
intermediação de diretor do Senado na obtenção de empréstimos
consignados para servidores da Casa; movimentação de contas
paralelas somando mais de R$ 3,7 milhões; mais de 2.800 servidores
nomeados por indicação política, sem concurso público; 120 funcionários
à disposição somente o presidente do Senado; e desvio de R$
500 mil, do total de R$ 1,3 milhão de patrocínio cultural da
Petrobras, para empresas de Sarney. |
Quando Sarney declarou, em seu primeiro pronunciamento sobre
tantas denúncias, que a crise não era dele, pessoalmente, mas
do Senado, como instituição, estava certo, porque embora tenha
responsabilidade sobre muita coisa em seus três mandatos como
presidente da Casa nos últimos 14 anos, dividiu suas atribuições
com uma Mesa Diretora. Mas, errou feio ao negar seu envolvimento
no desvio de recursos da Petrobras para a Fundação José Sarney,
alegando não ter qualquer responsabilidade administrativa na
entidade. Está provado que, como presidente vitalício e do seu
conselho curador, Sarney tem poder de voto e de veto sobre as
decisões da fundação, cabendo-lhe, inclusive, a administração
financeira. Ou seja, ficou caracterizada a mentira e a quebra
de decoro parlamentar. Desde então, o presidente José |
Sarney vem sendo denunciado em duas frentes: pelas irregularidades
acumuladas na gestão do Senado, de responsabilidade colegiada,
e pelas irregularidades envolvendo negócios e interesses da
família, de responsabilidade pessoal dele. São denúncias graves,
que exigem ampla e profunda investigação porque envolvem recursos
públicos. E como principal acusado, sem ainda apresentado defesa
consistente e convincente, Sarney perdeu todas as condições
morais e éticas de permanecer na presidência do Senado. Agora,
com as revelações de nepotismo, sua situação se agravou ainda
mais, manchando sua biografia de ex-Presidente da República
com notável papel na transição da ditadura militar para a democracia.
Obviamente, o presente não anula o passado, mas impõe sua renúncia
para tentar evitar sua cassação. |
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Diante
de outros exemplos na história recente do Senado, se o presidente José Sarney
não renunciar ao seu mandato de comando da Casa, poderá sofrer processo
de investigação e ser cassado por quebra de decoro parlamentar. |