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Sempre acreditei e torci para que o Brasil pudesse viver um
bom momento na sua economia, sem que isso excluísse o exercício
virtuoso da política. Na década de 1970, o País vivia o chamado
“milagre econômico”, mas sofria o período mais obscuro da repressão
política. Com a redemocratização na década de 1980, e o Plano
Real, o Brasil deu sinais de que poderia fazer isso, provando
que a estabilidade econômica é sim compatível com a estabilidade
política. Em síntese: o Brasil caminharia para se tornar uma
democracia do mundo desenvolvido. Infelizmente, não é isso que
podemos vivenciar nos últimos anos. O País acumula resultados
positivos na chamada macroeconomia, mas na política a marca
principal tem sido a da mediocridade. Mente-se da forma mais
descarada, |
sem qualquer sinal de timidez ou de vergonha. O cinismo e a
desfaçatez estão se transformando em virtudes anunciadas. Manipula-se
escancaradamente a verdade olhando nos olhos do manipulado.
Agressores se transformam em agredidos. Vítimas em criminosos.
Assina-se embaixo da máxima nazista de que uma mentira repetida
mil vezes se transforma em verdade. Tenho o maior respeito pela
história de vida do Presidente da República. De identidade com
o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não guardo apenas o fato
de termos nascido em terras de Pernambuco. Vai além disso. Como
Governador do Estado de Pernambuco, em segundo mandato, entre
2003 e 2006, mantive uma relação de respeito recíproco com o
Presidente da República. |
Jarbas Vasconcelos*
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"O País acumula resultados positivos na chamada
macroeconomia, mas na política a marca principal tem
sido a da mediocridade”
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Mas já no primeiro mandato, o Governo Lula dava sinais de que
não saberia valorizar as duas agendas, a política e a econômica.
O que vimos foi o pior da política minúscula, da troca de apoio
por recursos do Orçamento. O que vimos foi o aparelhamento da
máquina federal. E a manipulação se transformou em regra de
comportamento. Será mera coincidência que setores do PT voltem
a defender um terceiro mandato para o Presidente da República,
quando a imagem do Congresso está abaixo do nível do mar, quase
sem forças para reagir? Será mera coincidência o Presidente
da República barrar a fiscalização da aplicação dos recursos
repassados aos sindica-tos? Será mera coincidência a montagem
de dossiês contra adversários políticos? Cabe à |
oposição deixar claro que democracia e personalismo não combinam.
Nunca combinaram. Aí está a História da Humanidade repleta de
exemplos de que o messianismo provoca efeitos devastadores sobre
a sociedade. Para tanto, a oposição precisa se organizar. Como
disse certa vez o cantor e compositor pernambucano Chico Science,
“eu me organizando, posso desorganizar”. Precisamos combater
o que este Governo tem de pernicioso, seus desvios, seus abusos;
e enfrentá-lo com altivez e firmeza. Esse bom combate por parte
da oposição é essencial para que o País não seja contaminado
por essa praga da mediocridade.
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Jarbas Vasconcelos é senador do PMDB-PE
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