Fidel Castro


Fidel assumiu o poder em Cuba em fevereiro de 1959 prometendo ao povo que jamais seria ditador, mas com apoio da ex-União Soviética tornou-se um dos maiores ditadores da história mundial.
CUBA SOB PRESSÃO POR DEMOCRACIA
Como ficará Cuba a partir de agora? Permanecerá uma ilha sob feroz ditadura ou, finalmente, se tornará democrática? E a transição, se houver, vai ser rápida ou lenta? Será grande a pressão internacional, sobretudo dos Estados Unidos, pela democracia em Cuba. Mas o destino do único país comunista da América Latina, agora sem o comando do ditador Fidel Castro(foto), que renunciou nesse semana depois de 49 anos no poder, começa a ser desenhado neste domingo(24) pela posse dos 614 deputados da Assembléia Nacional com mandatos de cinco anos e eleição dos 31 membros do Conselho de Estado, cujo presidente será o sucessor de Fidel.

Democracia é o que desejam, em sua maioria, embora reservadamente, os 11,3 milhões de habitantes de Cuba, pequeno país de 110 mil quilômetros quadrados, e principalmente os 2,2 milhões que moram em Havana, a capital. Democracia é o que desejam, publica e enfaticamente, 1,5 milhão de cubanos que vivem exilados nos Estados Unidos. Democracia é que pedem os 4,5 milhões de católicos cubanos. Mas, mesmo com a saída de cena do ditador de 81 anos, forçado por estar gravemente doente, é enorme o ceticismo da população de Cuba quanto às possibilidades dessa mudança radical porque deverá ser confirmado como novo presidente do país o irmão dele, general Raul Castro, 76 anos, atual ministro das Forças Armadas. Como parte da transição, administrada pelo próprio Fidel, Raul Castro está acumulando o cargo de presidente interino desde julho de 2006, quando o irmão teve que se afastar, doente, para tratamento médico. Considerado um pragmático em economia, Raul foi o principal executivo da ideologia política de Fidel ao longo da revolução cubana instalada em 1959. Por isso, embora haja uma certa inquietação na ilha esperando um novo tempo, muitos duvidam que Raul se atreva a fazer qualquer mudança enquanto Fidel estiver vivo e, mesmo afastado do poder, escrevendo artigos como “soldado de idéias”. Nessa sexta-feira(22), Fidel rejeitou qualquer mudança. Embora sejam reconhecidos, internacionalmente, os avanços da revolução de Fidel Castro em saúde e educação, com baixos índices de mortalidade infantil e de analfabetismo, comparados aos padrões europeus, as mais importantes organizações de direitos humanos do mundo acusam o regime cubano de totalitário, sem o menor respeito às liberdades. Estimam que existem, atualmente, pelo menos, 200 presos políticos em Cuba. Lembram que desde 1961, todas as liberdades civis estão anuladas. E quase 17 mil opositores ao regime de Fidel foram fuzilados no paredón. Com o domínio comunista, tem sido violenta a perseguição à Igreja Católica. Dos 670 padres que existiam na ilha antes de Fidel, restaram apenas 200 ou menos. Durante o primeiro grande êxodo de cubanos em 1961, 50 mil cubanos fugiram para os Estados Unidos. Outra grande êxodo se deu em 1980 quando 125 mil deixaram a ilha por causa da ditadura. Até hoje qualquer dissidência é alvo de severas punições. Até assistir tevê americana por parabólica clandestina é motivo de prisão. Por tudo isso, os cubanos acreditam que a democracia só virá quando houver eleições livres e diretas. Somente a história fará um julgamento mais claro e racional do polêmico e sanguinário Fidel Castro, o último dos grandes ditadores internacionais. De qualquer forma, ele não escapará de ser avaliado por seu maior paradoxo. Assumiu o poder em Cuba em 16 de fevereiro de 1959 prometendo aos cubanos: “Nunca seremos ditadores. Só os que não contam com o apoio do povo recorrem à ditadura”. Mesmo sendo marxista desde a Faculdade de Direito de Havana onde se formou em 1950, assumiu, publicamente, que era comunista apenas em 1961. E como tal, apoiado pela ex-União Soviética, tornou-se um dos maiores ditadores da história mundial. Agora é um mito.
Maioria silenciosa dos 11,3 milhões de habitantes de Cuba quer democracia, mas está descrente quanto às mudanças políticas sob a presidência de Raul Castro, irmão do ditador agora fora de cena.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva