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Maior usocapião coletivo urbano de todo o Brasil ocorre no Ceará

Cidade que mais cresce no Ceará, Juazeiro promove maior usucapião do Brasil
entro de dois meses deverá sair a sentença da Justiça sobre o maior usucapião especial coletivo da história do Brasil, que se processa em Juazeiro do Norte, maior e mais importante cidade do interior do Ceará, com aproximadamente 300 mil habitantes. Por ação judicial, com base na Lei federal que instituiu o Estatuto das Cidades em 2001, 1.168 famílias, ou seja mais de 4.600 moradores do bairro Frei Damião de Bozano, um dos mais populosos e carentes da cidade do Padre Cícero, reivindicam a titularidade dos lotes que ocupam, há mais de 15 anos, numa área de mais de 427 mil metros quadrados. Como a Prefeitura Municipal reconheceu, oficialmente, em 2006, a situação de irreversibilidade e de consolidação do assentamento popular e o direito dos posseiros, o Cartório Machado, do Juazeiro, assumiu a iniciativa de garantir apoio técnico e jurídico à Associação dos Moradores do bairro, para atender à vontade coletiva de regularização fundiária. Depois dos estudos realizados e de todas as providências legais adotadas, o tabelião Paulo Machado ingressou na Justiça com a petição assinada por 1.168 pessoas habilitadas ao usucapião coletivo. Conferido o direito de posse pela Justiça, os contemplados terão os benefícios da assistência judiciária gratuita e não pagarão nada ao Cartório pelo registro dos imóveis. Ao justificar sua iniciativa, Paulo Machado ressalta: “Para essa população, fruto de um processo de urbanização intenso, desigual e injusto, há muito foi-lhe adiado o direito à legalidade, prevalecendo a segregação urbana, marcada pela exclusão sócio-econômica. Nesse modelo excludente e, cada vez mais, de desigualdades sociais, milhões de famílias passaram a viver à margem do progresso e sem a segurança no seu lar. Como o Estatuto das

Paulo Machado

Cidades trouxe-nos um importante instrumento para a efetivação do direito à moradia, fundamental à dignidade da pessoa humana, estamos utilizando esse dispositivo legal para tornar os posseiros de hoje em verdadeiros proprietários. O que ocorre em Juazeiro é um exemplo para o Brasil, pois a questão urbana está no centro da questão social brasileira”. Conforme o Estatuto das Cidades, as áreas urbanas com mais de 250 metros quadrados, ocupadas por população de baixa renda para sua moradia, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, podem ser
usucapiadas coletivamente, desde que os posseiros não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural. Para acelerar a aplicação do estatuto, a Prefeitura de Juazeiro do Norte estabeleceu, por lei municipal em 2006, política de desenvolvimento urbano que contempla a população de baixa renda e facilita a regularização fundiária de assentamentos populares consolidados. Antes desse usucpião, agora promovido no Ceará, o maior já registrado no Brasil ocorreu em Pernambuco, em 2005, quando sentença judicial liberou um usucapião coletivo para 376 famílias, mais de 1.200 pessoas, que ocupavam a Vila Manchete, em Olinda, há mais de 15 anos. Para essa conquista, a Associação de Moradores da Vila Manchete teve o suporte técnico e jurídico da Prefeitura de Olinda.
Concedido o usucapião, a população passou a contar com o apoio do então governador Jarbas Vasconcelos, através de obras de infra-estrutura, como rede elétrica, esgotamento sanitário, asfaltamento e outros serviços de urbanização. Garantido pela Constituição, o usucapião é um instrumento jurídico para posse de área urbana até 250 metros quadrados, ocupada por no mínimo 5 anos, sem que exista reivindicação do dono do terreno. Pela Lei federal (10.2577-2001), que instituiu o Estatuto das Cidades, ficou estabelecido o usucapião especial coletivo, para populações de baixa renda, em áreas com extensão superior à citada, permitindo que várias ações judiciais possam ser juntadas numa só agilizando os processos de regularização fundiária em áreas urbanas do País.

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