Renan Calheiros


Governistas e oposicionistas estão agora no mesmo lado, em jogo duro contra o presidente do Senado, Renan Calheiros, que lhe favorece na polêmica questão da CPMF.
IMPASSE PODE EXTINGUIR CPMF
Com seu rolo compressor sobre a Câmara e seus cofres abertos para atender aos deputados, o Governo Lula venceu a primeira batalha para prorrogação da famigerada CPMF até 2011. Foi aprovada na Câmara, em primeiro turno, por 338 a 117 votos, e agora vai para o segundo turno. Desesperado na guerra em defesa da CPMF de R$ 40 bilhões ao ano, o Planalto está fazendo até “terrorismo social”. Mas será muito difícil sua vitória no Senado. Quanto mais durar o impasse da permanência do senador Renan Calheiros(foto) na presidência da Casa, menor será a chance de ser aprovada a manutenção do abusivo imposto rejeitado por 95% dos brasileiros.

Paradoxalmente, há mais de quatro meses colocado como vilão da história do Senado, diante da opinião pública nacional, tendo sido absolvido pelo plenário da Casa(46X35) no primeiro de quatro processos em que é acusado de quebra de decoro parlamentar, Renan Calheiros está se transformando no gerador da última esperança concreta de milhões de brasileiros que lutam contra o Governo Lula pelo fim da detestável CPMF. Em verdade, o Governo terá enormes dificuldades no Senado, onde não conta com apoio da maioria, para prorrogá-la até 2011 com alíquota de 0,38%. Para isso, dos 81 senadores são necessários 49 votos, mas esse é praticamente o número certo contra a CPMF no Senado. E se Renan resistir no cargo, mantendo-se a obstrução que lhe fazem adversários, provavelmente a matéria nem será votada até o prazo final, 31 de dezembro. Embora nem governistas nem oposicionistas tenham feito até agora, publicamente, qualquer avaliação nesse sentido, seus movimentos e posições quanto ao impasse que paralisa o Senado estão fortalecendo, cada vez mais, esse papel estratégico que pode acabar sendo cumprido, des-propositalmente ou deliberadamente, pelo presidente Renan Calheiros, na questão da CPMF. Agora, depois que garantiram a absolvição dele no primeiro julgamento em plenário, numa sessão secreta de votos secretos, até os governistas, sobretudo líderes petistas, exigem seu afastamento do cargo, como já vinham pressionando os oposicionistas. Estão assim, os dois lados, contraditoriamente, proporcionando uma chance inigualável para Renan se recuperar diante da opinião pública. Provavelmente, com sua inteligência, sua argúcia e sua astúcia, aprimoradas em muitos anos de vida política, o presidente do Senado já percebeu o resultado que lhe reserva esse jogo duro que, de repente, está unindo contra ele aliados do Governo e oposição. Declaração sua, nessa semana, é sintomática: “Esse problema da CPMF não é do presidente do Senado. Sou presidente da instituição, que é suprapartidária. A CPMF é um problema do Governo”. Ao final, sua resistência poderá significar a extinção da gorda receita anual da CPMF de R$ 40 bilhões para o Governo. Caso isso aconteça, Renan estará fazendo pela sociedade brasileira o que o presidente Lula e o PT prometeram em campanhas eleitorais mas, depois, no poder, resolveram ignorar, desprezando o compromisso com seus 60 milhões de eleitores. Mais do que isso, o presidente do Senado está consciente de que o Governo Lula não precisa da manutenção da CPMF porque o Brasil tem sua economia em crescimento e porque os cofres federais estão abarrotados. Somente no primeiro semestre deste ano foram arrecadados R$ 305 bilhões contra R$ 269 bilhões no mesmo período do ano passado. Ou seja, em apenas seis meses, o Governo teve um acréscimo na receita de R$ 36 bilhões, equivalente ao valor anual da CPMF, tornando esse imposto absolutamente desnecessário. Quanto aos argumentos do presidente Lula e seus ministros de que sem a CPMF haverá um colapso nos programas sociais não passam de uma grande balela. E Renan sabe disso, como sabe também qual é a vontade de 95% dos brasileiros: Xô CPMF!
Caso resista às pressões e permaneça na presidência do Senado, mantendo o impasse da obstrução de votações, Renan Calheiros será fator decisivo para extinção da famigerada CPMF.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Guillermo Piernes Renato Riella
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