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Jornal das Vozes Livres de Brasília
HOME   Brasília - DF 22/07/2007

O Saudoso Comandante Rolim Também Tem Culpa
m nenhuma das análises sobre a tragédia do vôo da TAM encontrei enfatizada umas das causas que resultaram o maior desastre aéreo ocorrido no Brasil. Culpas estão sendo distribuídas a torto e a direito. O chamado “caos aéreo” iniciado em setembro passado, com o choque entre o avião da Gol e o Legacy. A reforma inacabada da pista principal de Congonhas, o que desvia a causa maior do acidente para a atormentada Infraero, já às voltas com denúncias de superfaturamento também é apontada. Ou a Anac, uma agência reguladora que parece sofrer de rejeição definitiva por parte dos militares da Aeronáutica. Há quem culpe dona Dilma, que indicou o chefe da agência . E como não poderia deixar de ser, o presidente Lula. Na aviação cada acidente raramente tem uma única causa. No caso especifico já se coloca a imperícia do piloto ou até mesmo uma falha mecânica. Agora, se me perguntarem as as razões do “apagão” , que alguns insistem em relacionar com o episódio do AirBus, eu poderia escolher qualquer uma de várias hipóteses. Por exemplo, uma delas pode estar lá atrás no tempo, na decisão do antigo DAC de permitir que os Fokker 100 da TAM, jatos para até 108 passageiros,





pousassem em Congo-nhas. Isso poucos meses depois do próprio DAC determinar que o chamado “aeroporto central de São Paulo” só poderia receber os incansáveis turbo-hélice Electras da Ponte Aérea.

Liberado Congonhas para os Fokker-100 da TAM, era óbvio que, em seguida, viriam solicitações da Varig, com seus 737-500, um avião que se dizia especialista em pista curta. Operava com a bandeira da Rio-Sul. Em seguida viriam a Vasp e a Transbrasil, que pousaram seus Boeings 737-300 naquele aeroporto. Resultado: Congonhas deveria, no máximo, estar recebendo 8 milhões de passageiros/ano. Está ultrapassando a cifra dos 16 milhões/ano. E o que é pior (ou seria melhor?) , a “clientela” de Congonhas não quer saber de mudar de aeroporto. Grande parte dela é formada pelos chamados “executivos” que não dis-pensam o celular permanentemente colado no ouvido e estão com os “laptops” sempre abertos sobre o joelho. Para eles, voar tornou-se uma obrigação que exige urgência. Se fizerem uma enquete, a maioria, com certeza, vai alegar que Congonhas é o aeroporto ideal. Motivo? Fica perto de tudo. Inclusive de postos de gasolina, das avenidas movimentadas e até, numa incrível coincidência, da loja da Tam Express. Conclusão : o comandante Rolim, na época, tinha razão ao levar a Aeronáutica a admitir o Fokker-100. Hoje, se ainda estivesse entre nós, talvez pensasse diferente.

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