|
Os 136 atletas que participaram do Mundial de Natação do Trabalhador
- 60 brasileiros e 83 estrangeiros - conquistaram 556 medalhas
nas 17 provas realizadas em Blumenau, Santa Catarina. O torneio,
que começou na quarta-feira, 28 de fevereiro, e terminou no
dia 2 de março, reuniu atletas-trabalhadores de Brasil, Áustria,
Portugal, Itália, França, Bélgica, Holanda, Bulgária e Rússia.
Os brasileiros foram os campeões, conquistaram o maior número
de medalhas, totalizando 207, na competição organizada pelo
Serviço Social da Indústria (SESI) e a Confederação Esportiva
Internacional do Trabalho (CSIT). Em segundo lugar ficou a Holanda,
com 133 medalhas, e em terceiro, Portugal, com 85. A participação
de atletas de 32 grandes e médias empresas brasileiras, de 17
estados, mostra que a indústria investe alto na qualidade de
vida dos funcionários. “As empresas brasileiras estão fazendo
um trabalho contínuo para melhorar a qualidade de vida e a saúde
dos funcionários”, observou o coordenador técnico da competição,
Venício Bottamedi. Na categoria individual, o funcionário da
Gráfica Jaraguá, do Estado de Alagoas, foi o recordista, ganhou
10 |
Indústria
brasileira investe alto em esportes para funcionários
|
|
medalhas: seis de ouro e quatro de prata.O inspetor de
embarque e desembarque de navio Hugo Silva, da Companhia
Vale do Rio Doce, no Espírito Santo, e o engenheiro Paulo
Sanford, da Indústria Naval do Ceará (Inace), também ficaram
entre os destaques da equipe brasileira. Eles venceram
todas as provas que disputaram no torneio. Paulo ganhou
nove medalhas de ouro. Hugo ficou com seis ouro e uma
prata. Juntos, eles conquistaram 16 medalhas. Com uma
rotina diária de treinos, a dupla veterana em competições
internacionais, se preparou para o torneio de Blumenau.
Hugo treinou uma média de três horas por dia durante 45
dias. O esforço do nadador despertou a atenção dos colegas
de trabalho, que começaram a se interessar pelo esporte.
“A maioria dos |
meus amigos começou a nadar de tanto me ver treinar. Os
gordinhos perderam peso rapidamente e também tomaram gosto
pelo esporte”, disse Hugo. Na avaliação de Paulo, o esporte
é fundamental para melhorar a qualidade de vida. “É uma
terapia. Eu saio do trabalho exausto. Quando entro na
piscina, descarrego todas as energias negativas”, contou
o nadador. Segundo ele, quem quer ter uma vida mais produtiva
deve manter a mente e o corpo em forma. “O esporte é capaz
de proporcionar equilíbrio”, afirmou. Espírito de Equipe
A engenheira mecânica paranaense Fernanda Ferazza, de
27 anos, acredita que o esporte consolida as boas práticas
no ambiente de trabalho. “A natação reforça valores como
o companheirismo, a competitividade e o |
|
espírito
de equipe. O melhor do esporte não é ganhar medalhas, mas fazer
o melhor e nos superar a cada dia”, avaliou. Segundo o diretor-superintendente
do Departamento Nacional do SESI, Antonio Carlos Brito Maciel,
os torneios mundiais são uma forma de incentivar a participação
dos trabalhadores no esporte. “As empresas procuram o SESI para
a promoção de campeonatos internos. A aproximação das empresas
com o SESI tem crescido substancialmente, com equipes de profissionais
da instituição ajudando a estruturar os programas do Lazer Ativo
nas indústrias filiadas.” De acordo com o gerente de Esportes
do SESI, Rui Campos, torneios como o Mundial de Natação integram
o conceito de Indústria Saudável, que inclui ações de prevenção
de doenças, como estímulo à prática esportiva entre os funcionários.
“Há uma série de valores do esporte, como espírito de equipe
e entusiasmo, que, levados para dentro da fábrica, aumentam
a produtividade”, disse Rui Campos. O gerente-executivo de Cultura,
Esporte e Lazer do Serviço Social da Indústria (SESI), Eloir
Simm, destacou que produtividade não envolve apenas quantidade.
“É |
também
qualidade na produção”, afirmou. Segundo ele, toda a indústria
que pensa em desenvolvimento sustentável, e está baseada nos
pilares social, econômico e ambiental sempre, se preocupa em
melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. Na avaliação
do paraninfo do Mundial, o campeão olímpico de natação em 98,
Fernando Scherer, o Xuxa, a empresa que estimula os trabalhadores
a praticarem esportes têm muitos lucros a contabilizar. Além
da qualidade de vida e da produtividade, há retorno garantido
com a divulgação da marca em competições esportivas que os trabalhadores
participam. “Quem pratica esporte com freqüência e compete tem
de lidar com diversos aspectos, como ansiedade, estresse, frustração
pela derrota, alegria pela vitória, intercâmbio cultural, várias
coisas que não fazem parte do dia-a-dia da empresa, mas deixam
o trabalhador-atleta mais preparado para vencer os obstáculos
dentro da empresa”, observou Xuxa. O Mundial de Natação foi
a sexta competição internacional de trabalhadores realizada
no Brasil. |