Waldir Pires


Maior tragédia da história da aviação brasileira com 200 mortos, em São Paulo, a segunda em menos de dez meses, evidencia a culpa do Governo Lula no colapso dos aeroportos do País.
CAOS AÉREO: BRASIL DESCE AO INFERNO
Descaso, incompetência, inoperância, negligência e omissão. Dificilmente o Governo Lula se livrará dessas acusações em relação ao caos aéreo no Brasil e à tragédia dessa semana com o airbus da TAM, em São Paulo, matando 200 pessoas carbonizadas, a maior da história da aviação brasileira. Crise se agrava há dez meses e o Governo é incapaz de solucionar o colapso dos aeroportos. Seu ministro da Defesa, Waldir Pires(foto), símbolo dessa letargia, nada resolve. Em 90 dias, deverão ser descobertas as causas do novo acidente, mas o Sindicato Nacional dos Aeronautas antecipa e assegura: “Foi uma tragédia anunciada”. E até prova em contrário, culpa é do Governo.

Dessa vez, o problema não está relacionado às deficiências no controle de tráfego aéreo nacional que determinaram o desastre com o avião da Gol, em setembro de 2006, quando morreram 154 passageiros, até essa semana o maior na história da aviação no País. Menos de dez meses depois, agora, a nova tragédia tem como causa mais provável gestão negligente ou irresponsável da infra-estrutura aero-portuário: Congonhas, o mais movimentado aeroporto do Brasil, com 630 pousos e decolagens por dia transportando 60 mil passageiros, teve sua pista principal liberada no último dia 29 de junho, após reforma que custou R$ 20 milhões, sem estar tecnicamente pronta e oferecendo altos riscos aos aviões, sobretudo em condições com chuva. “Pista lisa como sabão”, dizem os pilotos. De acordo com técnicos do Sindicato Nacional da Aeronáutica, sem o “grooving”, ou ranhuras no asfalto que garantem o escoamento de água da chuva e maior aderência dos pneus do avião ao solo, a pista fica escorregadia podendo provocar derrapagens, como aconteceu, de forma irremediável, com o airbus da TAM. Um dia antes, um avião de pequeno porte da Pantanal, com 21 passageiros, derrapou na mesma pista molhada de Congonhas e foi parar no canteiro central pré-anunciando uma tragédia. Que se deu com o avião da TAM, de grande porte, um dos mais modernos e seguros do mundo. Pelas primeiras avaliações, tudo indica que, na derrapagem, o piloto não teve condições de parar o avião e, ao chegar ao final da pista, tentou e não conseguiu arremeter, lançando-se em choque, ironicamente, contra edifício da própria TAM. Aos milhões de brasileiros aflitos e em pânico com o atual caos da aviação comercial brasileira, agravado pela insegurança nos aeroportos, só restam transtornos, angústias, sofrimentos, dores, perplexidades e o pesadelo de perguntas sem respostas: Quando e onde será a próxima tragédia? Até quando o Governo Lula vai deixar o Brasil nesse traumático inferno aéreo que desrespeita e consome vidas humanas e causa enormes prejuízos à imagem e à credibilidade do País, internamente e no exterior? Será necessário mais um grande desastre, como esses dois (Gol e TAM) em menos de um ano, mais de 354 mortos, verdadeiro assassinato coletivo? Que assim não seja. Mas não dá para o Brasil relaxar diante de um Governo relaxado, com um ministro da Defesa aéreo, que não sabe nada e não decide nada, enquanto cresce o drama que arrasa a aviação e milhares de famílias brasileiras. Dos 70 processos do Tribunal de Contas da União que investigam a Infraero, 15 estão diretamente relacionados com obras nos aeroportos. Mesmo sem todas auditorias ainda concluídas, são muitas e consistentes as irregularidades já detectadas: projetos básicos de má qualidade, pré-qualificação restritiva nas licitações, retirada de contratos de serviços exigidos na pré-qualificação, licitações que desprezam descontos, falta de punição às empresas pela não-execução dos serviços contratados. Com essas obras sob suspeita e investigação, o Governo Lula transformou os principais aeroportos brasileiros em verdadeiros shop-pings, mas deixou de lado a segurança do tráfego aéreo e dos passageiros. Descaso total. Chega de negligência! Basta de omissão!
Além da falta de investimentos do Governo Lula em segurança ao tráfego e aos passageiros, obras nos aeroportos brasileiros apresentam inúmeras irregularidades agora sob investigação.

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