Nelson Jobim


Envolvimento de militares do Exército com traficantes do Rio em tragédia com três jovens mortos gera nova e grave crise no Governo Lula e poderá condenar a União à indenização de famílias das vítimas.
NARCOTRÁFICO ABALA O EXÉRCITO
Mesmo com o PIB crescendo 5,8% e a arrecadação federal superando R$ 36 bilhões, somente no primeiro trimestre deste ano, devendo superar os R$ 70 bilhões até junho, deixando os cofres do Governo Lula abarrotados, 259 deputados aprovaram, nessa semana, a recriação da antiga CPMF, disfarçada de CSS-Contribuição Social para a Saúde, com alíquota de 0,10% sobre toda e qualquer movimentação financeira. Golpe foi comandado pelos líderes do Governo, deputados petistas Henrique Fontana(RS) e Maurício Rands(PE), em choque direto com a vontade de 80% dos brasileiros que já se manifestaram contra o imposto.
Efeitos da tragédia são tão preocupantes que já mobilizam Procuradoria Geral da República, Defensoria Pública da União, Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, Comissão da Ordem dos Advogados do Brasil e Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. Virou o principal tema de debates da semana no Congresso Nacional. Até a Justiça Eleitoral está sendo acionada. E além de toda a confusão armada, a União ainda poderá ser condenada a pagar mais de R$ 1 milhão e R$ 300 mil em indenizações e pensões vitalícias para cada uma das famílias dos três jovens assassinados depois de terem sido entregues por 11 militares do Exército aos traficantes do Morro da Mineira. De nada adiantou o presidente Lula se dizer consternado ou o ministro Jobim indignado, assumindo o compromisso de “buscar justiça” para punir os culpados. Famílias das vítimas estão revoltadas e os moradores da favela do Morro da Providência exigindo a retirada das tropas do Exército que ali estão prestando segurança ao projeto de reforma habitacional denominado Cimento Social, idealizado pelo senador Marcelo Crivela(PRB-RJ), candidato à Prefeitura do Rio nas próximas eleições. Ao mesmo tempo, a sociedade brasileira está perplexa e chocada porque o episódio denuncia o envolvimento de militares do Exército em corrupção junto aos traficantes de drogas. Muitas perguntas sobre ainda estão sem respostas: Por que o Exército está dando segurança a um projeto governamental que pode ter uso eleitoral? Por que o comandante do Exército, general Enzo Martins, não evitou ou impediu a força ser usada, indevidamente, já que a função poderia e deveria ser cumprida pela Polícia Militar do Estado do Rio? Por que, enfim, o presidente Lula destinou ao Exército esse papel de segurança pública urbana não previsto na Constituição? Qual a real extensão do envolvimento dos 11 militares do Exército com os traficantes de drogas e por que eles fizeram isso condenando três jovens à morte? Obras do projeto Cimento Social fazem reformas de fachadas e telhados em 782 moradias do Morro da Providência, consumindo R$ 16,6 milhões financiados pela Caixa Econômica Federal, sendo cada reforma ao custo de R$ 22 mil, o equivalente a 62% do preço de uma casa popular. Embora o projeto atenda diretamente ao candidato a Prefeito do Rio, Marcelo Crivella, o Exército nega que esteja garantindo a segurança das obras para favorecer a campanha do senador. Lamentavelmente, uma ação cívica do Exército, em área de grande risco do Rio, sob domínio de perigosos traficantes armados por arsenal de fuzis e metralhadoras, acabou se transformando nessa tragédia. Agora, além de um Governo cheio de escândalos de corrupção, de um Legislativo totalmente desacreditado e de um Judiciário sob críticas, a sociedade brasileira ainda tem que ver jogado na lama exatamente o Exército, a instituição pública de sua maior confiança. Quem está interessado nisso? Não podia ter acontecido. Parece que o Brasil vai, sem salvação, em direção ao abismo da imoralidade, da promiscuidade e da corrupção generalizada. É o fim. Deploravelmente!.
Sociedade brasileira está perplexa e chocada com o episódio do Rio exatamente porque 11 militares colocaram na lama da corrupção e do crime o Exército, instituição de maior confiança pública no País.

Expediente Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva