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Jornal das Vozes Livres de Brasília
HOME   Brasília - DF 22/06/2008

O RECUO DE CHÁVEZ
os últimos dias, muitos foram surpreendidos pelas declarações do presidente venezuelano, Hugo Chávez, recomendando às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia a entrega das armas e a demonstrada disposição em retomar a normalidade das relações diplomáticas com o governo de Álvaro Uribe. Conjunturalmente, a movimentação de Chávez pode ser entendida como recuo estratégico diante da acumulação das evidências de suas ligações com o movimento guerrilheiro e o receio de reações internacionais mais severas contra sua autoridade, alimentado pela crescente presença militar norte-americana na região.Estruturalmente, o governo do controverso presidente venezuelano parece estar se afundando numa encruzilhada construída pela insistente inércia da ausência de um projeto claro de ação política, para não dizer de sociedade. Apenas o conservadorismo mais simplificador e uma esquerda realmente combalida pela avalanche liberal dos últimos anos poderiam enxergar no processo venezuelano enfrentamentos mais severos à arquitetura capitalista contemporânea. Poderiam transportar o “socialismo bolivariano” do campo discursivo para a concretude. Dificilmente se poderia caracterizar Chávez como algo mais do que uma manifestação atualizada do fenômeno populista latino-




americano. Falta à Chávez qualquer espécie de estratégia planejada e deliberada de superação de uma sociedade de relações de mercado. A nacionalização de setores estratégicos da economia, como o de petróleo e telecomunicações, não é novidade no contexto latino-americano e fez parte do desenvolvimento capitalista de um sem

número de países. Pelo contrário, cansou de ser a norma exatamente no período populista clássico. Em tempos em que a expressão “monopólio estatal” tornou-se espécie de blasfêmia econômica, há quem duvide ou tenha perdido a memória em meio às reformas da década de 90. Mas basta saber que existiu, aqui mesmo no Brasil, uma certa campanha chamada “O petróleo é nosso” para colocar as coisas em perspectiva. Ou seria Getúlio Vargas precursor do socialismo bolivariano? As políticas de assistência social, nos moldes do Bolsa-Família, também integram hoje qualquer cartilha do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Duas instituições, todos bem sabem, isentas de suspeitas de serem artífices de uma conspiração socialista global. Os benefícios são, para mais uma vez repetir as fórmulas clássicas, mecanismos renovados de relações de dominação entre o líder carismático e as massas. Esta interpretação não significa, contudo, que o processo de disputa política não poderá ser radicalizado, como na verdade já o foi no passado, tanto pelos opositores quanto pelos apoiadores de Chávez. Desta constatação à crença de que o presidente venezuelano é mais do que um refém de luxo dos sabores das conjunturas vai um longo caminho.



LOUCURA - Descobertas nos Estados Unidos, nessa semana, numa escola de Massachusetts, 17 estudantes menores, de até 16 anos, que ficaram grávidas ao mesmo tempo, combinadas para criarem seus filhos juntas. Para cumprimento do pacto, um delas engravidou de um morador de rua. Falta de juízo.

Vantagem de Obama
Europa e os Imigrantes
Retorno de Fidel
Pelas últimas pesquisas, o candidato democrata à Casa Branca, Obama, tem 47% das intenções de votos dos norte-americanos contra 42% do republicano John McCain, que corre atrás dos eleitores de Hillary.

Com a nova Lei de Imigração aprovada pelo Parlamento Europeu, está mais difícil a situação de três milhões de imigrantes que vivem ilegalmente na Europa, dos quais cerca de 200 mil brasileiros. Nova lei permite, por exemplo, que imigrantes fiquem presos até por 18 meses sem qualquer acusação criminal e, em caso de expulsão, não podem voltar ao país pelo prazo de cinco anos. Para o Governo brasileiro, é uma lei que cria percepção negativa da migração.
Fidel Castro, 81 anos, reapareceu essa semana durante encontro com o presi-dente da Venezuela, Hugo Chávez, em Havana. Bem disposto, parecendo recuperado, e com jeito de quem deseja voltar ao poder.


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