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Irresponsável. É como pode ser definido o comportamento do PT
e de parte do Governo Federal com relação aos desdobramentos
da crise econômica internacional. A “marolinha”, citada pelo
Presidente Lula há apenas dois meses, se transformou num tsunami.
Os petistas chegaram ao cúmulo ao culpar o Governo Fernando
Henrique Cardoso pelos efeitos da crise, acusam a oposição de
praticar terrorismo e a Imprensa de ser alarmista. É a mesma
estratégia adotada quando os escândalos políticos como o do
“Mensalão” vieram à tona e deixaram o Governo na berlinda. Não
acredito que exista um único brasileiro, do trabalhador mais
humilde ao grande empresário, que esteja torcendo para que esta
crise nos atinja mais gravemente. Só alguém que não quer enxergar
a realidade, inebriado pelo poder e por um egocentris-mo doentio
pode alardear a existência de um movimento na sociedade que
anseie pelo agravamento da crise como meio para atingir a popularidade
do Presidente. Lula, encare a realidade, Vossa Excelência não
é maior que o Brasil. Se o atual Governo não tivesse mantido
os pressupostos básicos da gestão |
anterior, a situação seria ainda mais grave. Falam em neoliberalismo,
mas a política econômica de Lula chegou a ser mais ortodoxa
do que a praticada pelo PSDB. Quando os petistas se encontravam
na oposição votaram contra a Constituição de 1988, trabalharam
contra o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Nas
eleições de 1994 e 1998, foram derrotados nas urnas justamente
porque fizeram campanha eleitoral contra as medidas econômicas
que estabilizaram a nossa moeda, abrindo caminho para o equilíbrio
das contas públicas e o controle da inflação. Este posicionamento
adotado pelo PT é que realmente caracteriza o exercício de uma
oposição irresponsável, que não se preocupava com os interesses
maiores do País. Não estou inventando nada, pois esses fatos
estão registrados na Imprensa, nos arquivos públicos e até mesmo
na Internet. Fazem parte da nossa história recente. Quando chegou
ao Governo, o PT passou a exigir da oposição o que nunca ofereceu
aos adversários. Não sou um pessimista, mas acho incorreto um
administrador público vender ilusões, posar de Papai Noel, quando
a situação não permite devaneios. Para quem |
Jarbas Vasconcelos*
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"Se o Governo Lula quer se manter numa “Ilha da
Fantasia”, pior para o País, pois continuaremos a ver
a política econômica de retórica ilusória”
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tem memória
curta, o Presidente chegou a afirmar que não iria lançar nenhum
pacote para tentar evitar os reflexos da crise. Pois foram anunciados
já vários pacotes. Ele disse também que a crise não atravessaria
o Oceano Atlântico e ela cruzou todos os mares do planeta. Talvez
deslumbrado pelas pesquisas que mostram sua popularidade em
níveis elevados, o Presiden |
te da República diz uma coisa na segunda-feira, desdiz dois
dias depois e volta à mesmíssima retórica na sexta-feira. Ninguém
cobra coerência e o vai-e-vem dos palanques entra para o folclore
político. As barbaridades palanqueiras começam a fazer parte
da paisagem. Ninguém se irrita. Alguns até se divertem. A situação
é grave, mas torço e acredito que os efeitos dessa crise serão
menores do que em outras anteriores. Mas, os sintomas de que
o Brasil pode pagar um preço elevado são evidentes, neste último
mês de 2008. Quem afirmava que os problemas só surgiriam no
próximo ano, errou feio. Numa economia globalizada, esse “efeito
cascata” é quase que instantâneo. Se a China – locomotiva do
crescimento planetário – afirma que a crise é séria, quem somos
nós para assegurar o contrário? O resultado da produção industrial
no último mês de outubro comparado com setembro apresentou uma
retração de 1,7%. A Confederação Nacional da Indústria prevê
reflexos ainda mais graves a partir de 2009. Esse encolhimento
terá um efeito imediato sobre o mercado de emprego. O setor
de autopeças |
Aprevê 7,5 mil demissões até o final do ano. São mais de 300
mil veículos nas montadoras, o que representa um investimento
de R$ 12 bilhões parados nos pátios. A produção das montadoras
no mês passado foi 34% menor do que a de outubro e 28% inferior
a de novembro de 2007. As vendas de maquinário agrícola estão
em queda por dois meses seguidos. Outro setor fundamental para
o desenvolvimento do País, a construção civil pode levar ao
desemprego cerca de 100 mil trabalhadores, apenas no Estado
de São Paulo. Os bancos também começaram a dispensar funcionários.
A saída de dólares atingiu US$ 7,15 bilhões no último mês de
novembro, o pior resultado no fluxo cambial desde janeiro de
1999, quando o País enfrentou a maxidesvalorização do Real Como
diz o ditado popular: “os números não mentem”. Se o Governo
Lula quer se manter numa “Ilha da Fantasia”, pior para o País,
pois continuaremos a ver a política econômica de palanque do
Presidente da República. Uma retórica espalhafatosa, panfletária,
incoerente e ilusória.
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Jarbas Vasconcelos,
senador pelo PMBD de Pernambuco.
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