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FATORAMA
Jornal de opinião da Capital brasileira
HOME   Brasília - DF 21/09/2008

CONTURBAÇÃO BOLIVIANA
ão há como dissociar a recente evolução dos acontecimentos na Bolívia do contexto de reação à aplicação das diretrizes neoliberais, em todo o continente latino-americano, a partir da década de 1970. Figuras como o general Augusto Pinochet se encarregaram, sob orientação das escolas econômicas norte-americana e austríaca, a fazer dos países do cone sul uma espécie de laboratório onde os sonhos mais selvagens de mercados livres de qualquer constrangimento trariam, alegadamente, as benesses da inserção globalizada ao castigado continente. Processo, evidentemente, que alcança o auge não só na Bolívia, mas em toda a América Latina, na década de 1990. A reação, contudo, não demorou. Manifestou-se, com maior ou menor intensidade, em todos os países pelos quais o receituário neoliberal deixou sua marca, e geralmente envolveu uma combinação de mobilizações populares com a ascensão eleitoral de personagens centrais dos campos afetados por sua aplicação. A Bolívia, certamente, é uma das regiões onde essa reação se mostrou mais vigorosa. A chegada ao poder de Evo Morales está diretamente vinculada aos processos de resistência às privatizações do final da década de 1990 e à busca pela inserção de setores tradicionalmente excluídos do acesso aos bens econômicos e políticos do país.




Na presidência, contudo, Morales falhou em implantar na sua totalidade o programa que havia tornado possível a aliança de amplos setores populares, tais como os camponeses indígenas, os mineiros e os trabalhadores urbanos em torno de sua liderança. A famosa “nacionalização” dos hidrocarbonetos, em sua grande maioria,

não passou de renegociações das taxas pagas pelas multinacionais, incluindo nessa lista a Petrobrás, e a reforma agrária não avançou. As constantes concessões feitas aos grupos dominantes bolivianos os possibilitaram reagrupar e acumular forças, de tal maneira que, nos pontos em que Morales efetivamente se dispôs a levar adiante, como o referendo sobre a nova Constituição e o redirecionamento de receitas pagas aos estados no sentido da ampliação do sistema de pensões aos mais pobres, serem capazes de oferecer resistência tão agressiva que quase levou o país à guerra civil. Ao que tudo indica, agora, apesar do relativo apoio do Exército e dos setores que o levaram ao poder, Morales, em nome de um acordo, parece caminhar no sentido de abrir mão, também, destes outros elementos de seu projeto original. Se os resultados das concessões anteriores não foram suficientes para fazer com que o presidente boliviano revisse tal opção, fica, ao menos, a lição de que o respeito à ordem e ao Estado Democrático de Direito por parte dos grupos dominantes está diretamente ligada à garantia da reprodução das relações econômicas e políticas que os beneficiam. Mas isso, a rigor, mostra a rica história recente latino-americana, não é nenhuma novidade.



FUSÕES - Grandes bancos dos EUA e da Europa estão procurando fusões como solução para evitar a falência em conseqüência da crise financeira internacional. Na Inglaterra, por exemplo, o Halifax, quinto maior banco do país, com 15 milhões de clientes, agora pertence ao Llooyds. Ou era fusão, ou falência.

Chávez na Bolívia
Diálogo Nacional
Obama Reage
Como esperado, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, com decla-rações inoportunas, está gerando tensão na Bolívia, entre o presidente Evo Morales e as Forças Armadas, ampliando a crise boliviana.

Depois de muita tensão e violência com 30 mortos, o Governo Evo Morales e os governadores de oposição estão tentando um acordo de paz. Podia até já ter sido encontrado mas os presidentes da América do Sul, inclusive Lula, do Brasil, promoveram uma reunião em Santiago, para resolver a crise, sem convidar nenhum representante dos adversários de Morales. Em nome da democracia, não podiam ter considerado apenas o lado do cocaleiro-presidente, despreparado para governar.
Pelas últimas pesquisas do Gallup, Barack Obama tem 47% das intenções de votos, enquanto John McCain tem 45%. Exatamente o resul-tado invertido da semana passada. Estão rigorosamente empatados.


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