Lula da Silva


Em sua segunda entrevista coletiva formal como Presidente, Lula cai em contradições, equívocos e imprecisões ao festejar o “melhor momento econômico do Brasil na história da República”.
CONTRADIÇÕES E IMPRECISÕES
“Vivemos o melhor momento da economia de toda a história da República”. Com este tom olímpico de autoveneração, o presidente Lula da Silva(foto) apresentou-se com desenvoltura em sua primeira entrevista coletiva formal deste mandato, nessa semana, a segunda desde que chegou ao Palácio do Planalto em 2003. Mas acabou cometendo excessos, contradições e imprecisões.É a forma que Lula tem de tentar fazer o País esquecer o seu primeiro Governo que foi o mais escandaloso em corrupção da história da República. Por isso, garante que está empenhado e tudo fazendo para chegar em 2010 sendo convidado aos palanques eleitorais e festejado pelo povo brasileiro.

Pode até ser que assim ocorra e melhor será para País se o Governo Lula acabar em 2010 sob aplausos, com alta aprovação dos brasileiros. Mas ainda faltam três anos e meio de mandato e o Presidente precisa ser centrado e comedido em seus pronunciamentos para evitar que auto-elogios e arroubos, na linha do seu bordão preferido, “nunca se fez tanto na história desse País”, sejam equivocados e arrogantes. Principalmente quando expressam manipulação da informação se comparados com a realidade histórica, como aconteceu na entrevista de duas horas nessa semana. Foi a primeira conduzida de forma decente, mas algumas respostas ficaram sem questionamento e passadas ao público como verdades embora não resistam ao confronto histórico. Sobre o momento econômico do Brasil, festejado por Lula como o melhor ao longo dos 118 anos de história da República, por exemplo, são diversas as contradições: o crescimento econômico brasileiro atual é um dos mais baixos desde a década de 50 do século passado, sendo superior apenas ao do pobre Haiti, na América Latina; o desemprego, atingindo mais de 12 milhões de brasileiros, é superior ao dos anos 80; as exportações, considerada a proporção do comércio mundial, estão abaixo dos anos 80 e até dos anos 90; os juros, que já estiveram em quase 20%, estão hoje em 12,5%, mas, descontada a inflação, ainda são os maiores do mundo atraindo os capitais especulativos. E tudo isso num ambiente internacional que nunca foi tão favorável ao Brasil. Como não estaria o País hoje, sem crescimento econômico e com alto desemprego, se tivesse que enfrentar as turbulências de seguidas e graves crises externas como as que ocorreram nos anos 90? Portanto, o bom senso recomenda o natural reconhecimento de que o Brasil de hoje tem sua economia estabilizada, moeda forte, inflação baixa e redução da pobreza. Entretanto, apresenta também indicadores econômicos inferiores aos de algumas décadas recentes de prosperidade, como do período de Juscelino Kubitschek e até da ditadura militar com seu “milagre econômico” nos anos 70. Ou seja, a atualidade econômica do Brasil é positiva, mas não é essa maravilha insuperável pintada em relevo na tela presidencial e muito menos incomparável em relação à história da República. Quanto ao aspecto político, Lula, embora claro, acabou deixando dúvidas. Será que foi mesmo sincero ao afirmar que rejeita qualquer projeto no Congresso para lhe garantir um terceiro mandato? Que não está pensando nisso e que não vai pensar nisso, em hipótese nenhuma? Justificando, o Presidente ressaltou que foi candidato à reeleição “obrigado” por circunstância política e que um terceiro mandato seguido não é permitido pela Constituição. Mas, e se a ampla maioria de sua coalizão no Congresso agora resolver aprovar uma emenda constitucional que lhe dê oportunidade para disputar um novo mandato e ele chegar ao final deste Governo como deseja, aplaudido e abraçado pelo povo? Será que vai resistir em ser novamente “obrigado” e se negar ao “sacrifício”? Parece mais bravata ao sinalizar que não beberá dessa água tão desejada. Especialmente porque Lula é, como ele próprio se definiu nessa entrevista, “uma metamorfose ambulante”.
Será que Lula vai resistir ao poder presidencial e se negar ao “sacrifício”, se a ampla maioria de sua coalizão no Congresso aprovar emenda constitucional permitindo um terceiro mandato?

Walter Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Guillermo Piernes Renato Riella
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