Lula & Arruda


Festa de inauguração da nova linha do metrô-DF acabou evidenciando aliança política e executiva entre Lula e Arruda, único governador do DEM, maior partido de oposição ao Governo Federal.
ALIANÇA SOBRE TRILHOS ATÉ 2010
Com a inauguração da linha do metrô-DF entre Brasília e Ceilândia, nessa semana, principal obra entregue pelo GDF à população no 48º aniversário da Capital brasileira, o presidente Lula da Silva e o governador Roberto Arruda(foto), em clima de gentileza, entendimento, descontração, cordialidade, elogios e reciprocidade, praticamente selaram uma aliança até 2010, que pode ir além da prática cooperativa e articulada entre poderes federal e distrital. Por isso, Lula declarou entusiasmado: “O que está acontecendo aqui é mais do que a inauguração de uma estação de metrô. O que está acontecendo aqui é um novo jeito de fazer política nesse País”.

Convidado pelo governador Roberto Arruda, único do DEM, principal partido de oposição ao Governo Lula no Congresso Nacional, o Presidente fez a viagem de metrô da Rodoviária de Brasília até Ceilândia, onde participou da inauguração de quatro novas estações, demonstrando o tempo todo muita satisfação. Primeiro, porque dos R$ 130 milhões investidos na obra R$ 30 milhões foram do Governo Federal. Segundo, porque a nova linha em operação, completando 21 estações no sistema, vai beneficiar cerca de 50 mil pessoas de uma das mais carentes regiões do DF onde está concentrada a maior colônia nordestina. Terceiro, porque o Programa de Aceleração do Crescimento contempla investimentos no DF e metrô terá mais oito estações que deverão ser concluídas até 2010 ampliando sua capacidade para atendimento a 300 mil passageiros/dia. E, quarto, porque tem com Arruda uma relação de reciprocidade em amizade, respeito, interação e cooperação que chega a causar ciúmes até entre os governadores mais aliados do Planalto. De tal forma é essa relação que, em discurso na festa em Ceilândia, dirigindo-se ao governador Arruda, Lula enfatizou: “Quando um presidente da República e um governador brigam quem perde é o povo. Se os dois têm juízo e governam juntos, quem ganha é o povo. Não haverá nada que possa permitir que haja um milímetro de divergência entre eu e você que impeça a gente de fazer o que tem que fazer nessa cidade”. Sensibilizado, o governador Arruda agradeceu retribuindo o elogio de Lula: “Isso faz parte do amadurecimento político que o Brasil vive quando duas pessoas, mesmo de partidos divergentes, governam juntas. A presença de Lula neste evento é simbólica. Sua segurança queria que ele viesse de helicóptero, mas ele preferiu vir de metrô para ver como realmente funciona”. Durante a cerimônia do metrô, o Presidente demonstrou, em gestos e palavras, perceber no governador do DF um exemplo de político novo para o Brasil: audacioso, corajoso, determinado, articulado, equilibrado, moderado, inovador, eficiente e realizador com consciência de austeridade em gestão e com profunda sensibilidade social. Daí a homenagem pública a Arruda que tem atendido, gentilmente, aos apelos do Presidente: providenciou um retorno para evitar transtorno no trânsito em frente ao Palácio do Planalto; mandou reforço policial do DF aos Jogos Panamericanos no Rio; cedeu o Palácio do Buriti enquanto houver reformas no Planalto; e aceitou ser interlocutor junto aos governadores no debate sobre a reforma tributária. Com sua alta popularidade, sem uma liderança carismática no PT para substituí-lo, tentado a um terceiro mandato que pode prejudicá-lo na história, Lula parece ter deixado a Ceilândia esquecido da ministra Dilma Rousseff e pensando na possibilidade de nova engenharia política: como seria bom se pudesse ter um candidato como Arruda em 2010! Parece algo ilógico, insensato, incoerente e inconsistente, mas essas são as características mais evidentes da própria política brasileira, onde, como diria o experiente senador Marco Maciel, “tudo pode acontecer, inclusive nada”.
Lula demonstrou descontração e contentamento ao lado de Arruda reconhecendo, publicamente, qualidades do governador do DF como exemplo novo de liderança política para o Brasil.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva