| Embora
a crise mundial deva ser longa e já esteja indicando recessão nos Estados
Unidos e na Europa, o Brasil ainda deverá ter crescimento em 2009, menos
do que este ano, mas 3% de crescimento. |
|
CHEGA AO FIM MOMENTO MÁGICO |
|
Embora
os maiores especialistas em finanças no mundo prevejam que
a crise global será longa, muitos deles já admitem que o pior
já passou. Virada deu-se, nessa semana, com a intervenção
dos Governos dos Estados Unidos e da Europa usando mais de
US$ 3 trilhões para salvar bancos da falência. Passou a existir
um certo otimismo nos mercados. Alívio para o presidente Lula(foto),
que passou a ter mais segurança quanto ao prognóstico para
o Brasil: enquanto a crise está levando os países desenvolvidos
para uma recessão em 2009, o Brasil ainda terá crescimento;
muito menos do que os 5% deste ano, talvez apenas 3%, mas
ainda algum crescimento.
|
|
|
|
De qualquer forma, os sinais de alerta para recessão mundial
em 2009, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, estão
forçando o Governo Lula a adotar algumas medidas importantes:
já liberou mais de R$ 100 bilhões dos depósitos compulsórios
dos bancos para garantir dinheiro no mercado destinado ao atendimento
de empréstimos de empresas e consumidores; aumentou de R$ 28
bilhões para R$ 30 bilhões o volume de recursos nos bancos para
o crédito rural a fim de que a crise não provoque redução na
safra agrícola do próximo ano e, por conseqüência, inflação
nos preços dos alimentos; e poderá socorrer grandes empresas
brasileiras que estão entrando em dificuldades porque tiveram
elevados prejuízos com a elevação do dólar. Pelas contas do
Governo, pelo menos 200 empresas |
importantes na vida econômica nacional estão sob risco por causa
da crise mundial. Para que se tenha uma idéia, somente nas últimas
três semanas, três grandes empresas brasileiras sofreram enormes
perdas enquanto aguardavam a queda do dólar: Sadia, R$ 760 milhões;
Aracruz, R$ 1,95 bilhão; e Votorantim, R$ 2,2 bilhões. Mas,
o Governo Lula avisa que o socorro será na forma de crédito
pela lógica do mercado porque cada uma deve assumir os prejuízos
pela aposta que fizeram. Para o Governo, o pior é deixar que
grandes empresas nacionais venham reduzir ou até mesmo paralisar
suas atividades, causando elevação do desemprego. Basta o que
vai ocorrer com companhias estrangeiras, sobretudo norte-americanas,
como a PepsiCo, que vai demitir 3.300 funcionários e reduzir
os investimentos, |
provavelmente afetando projetos no Brasil. Diante das incertezas
que as turbulências da crise estão provocando, essas medidas
do Governo, embora preventivas, são fundamentais para que o
Brasil possa manter o mínimo de crescimento enquanto a economia
mundial vai entrar em desaceleração. Como reflexo disso, a projeção
inicial de exportação brasileira este ano de US$ 200 bilhões
não será alcançada. Relato da Associação de Comércio Exterior
do Brasil, nessa semana, indica que dos US$ 20 bilhões previstos,
o saldo da balança comercial pode ficar entre US$ 10 bilhões
e US$ 12 bilhões. Isso significa que o dólar em alta, como nos
últimos dias, não é suficiente para compensar os efeitos negativos
da crise mundial. Por tudo isso, o Governo Lula deixou de lado
o discurso que colocava o Brasil como ilha de |
prosperidade inatingível e passou a ficar mais prudente, mais
cauteloso e sobretudo, nos últimos dias, preventivo. Da mesmo
forma que o Executivo, o Congresso também resolveu agir e não
apenas acompanhar a crise. Deve criar uma reserva especial de
R$ 6 bilhões no Orçamento de 2009 para que o Governo tenha recursos
extras no combate aos efeitos da crise mundial. Embora aliviado
com a redução dos estragos do furacão financeiro americano,
depois que os governos europeus injetaram US$ 2 trilhões nos
seus mercados e se tornaram acionistas de grandes bancos, Lula
está com um pé atrás. Finalmente, percebe que o sistema financeiro
mundial está tão devastado e fragilizado, que todos sofrerão
com a crise e que chegou ao fim o seu “momento mágico” para
o Brasil. |
|
|
Finalmente,
Lula está convencido de que é grave a crise financeira mundial, que as turbulências
permanecerão por muito tempo e que chegou ao fim o momento mágico da economia
brasileira. |