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FATORAMA
Jornal de opinião da Capital brasileira
HOME   Brasília - DF 19/10/2008

LÉM DOS EFEITOS DA CRISE NA ECONOMIA, O PRESIDENTE TERÁ QUE SUPORTAR TAMBÉM AGORA OS EFEITOS DA QUASE INEVITÁVEL DERROTA DE MARTA SUPLICY EM SÃO PAULO. SEU ADVERSÁRIO JÁ APARECEU ESSA SEMANA COM 17 PONTOS DE VANTAGEM. CONFIRMADA A VITÓRIA DE GILBERTO KASSAB, DO DEM, PARA A PREFEITURA PAULISTANA, SERÁ A MAIOR DERROTA DE LULA ESTE ANO.

Como é que as Bolsas entram em euforia num dia e em depressão no outro? Certamente, essa é a grande pergunta que os brasileiros comuns fazem hoje. É um negócio, além de incompreensível para muitos, assustador e à beira da loucura.

Tamanho do estrago geral

Uns, mais exagerados, quase apavorados, falam em US$ 13 trilhões ou mais. Outro, mais prudentes, em US$ 6 trilhões. E outros, ainda mais cautelosos, em US$ 3 trilhões. Não deve ser nem tanto de US$ 13 trilhões, nem de apenas US$ 3 trilhões. É mais razoável, o número do meio. Na verdade, ninguém, ninguém mesmo, nem o Fundo Monetário Internacional, sabe o real tamanho do estrago dessa crise global.

GAZETILHA

Comissão Mista de Orçamento do Congresso já está trabalhando com números e estimativas considerando os efeitos da crise mundial no Brasil. Está tudo sendo reavaliado.

Se o Brasil não for atingido fortemente pela crise, como tem dito Lula, o crescimento brasileiro poderá atingir até 3%. Mas, muitos especialistas preferem ficar em apenas 2%.

Estimativa de mais R$ 9,2 bilhões nas receitas do próximo ano, por exemplo, pode ser alterada porque a expectativa agora é de desaceleração da economia. Portanto, menos receita.
Isso tudo mexe com as contas do Governo, investimentos, produção, empregos e aumentos salariais. Reajustes já acertados dos servidores públicos, por exemplo, estão ameaçados.
Sabe-se que, conforme parâmetros do Governo, a Comissão vinha trabalhando com previsão de crescimento de 4,5% da economia no Brasil em 2009. Já se sabe que isso não ocorrerá. Falta muito ainda para um horizonte claro da crise. Enquanto Governo estiverem despejando trilhões de dólares nos mercados e as Bolsas nervosas, o melhor é ter cautela e aguardar.
Crise faz surgir um novo capitalismo
Como era esperado, uma crise desse porte, que está abalando o planeta todo, não podia ficar sem debate sério ou reflexão profunda. Não se trata apenas de nova regulação dos mercados, para evitar nova crise. Trata-se de se encontrar um novo caminho. Por isso, os dirigentes dos países ricos já estão anunciando uma refundação do capitalismo. O que isso vai significar, o mundo só saberá mesmo depois da reunião que eles farão em novembro. Do jeito que está, não fica.

EXCLUSIVO
Crise global está mesmo deixando o Governo Lula nervoso. Nessa semana, um dia seu assessor internacional, Marco Aurélio Garcia, disse que nenhuma empresa brasileira em dificuldade por causa da crise ficaria desassistida. No outro, o Presidente negou o socorro oficial. É o sobe-e-desce de declarações, como nas Bolsas.


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