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Há cerca de 15 dias, fui alertado por um funcionário do Banco
do Brasil que uma campanha institucional, que seria lançada
com grande destaque pelo País, tinha um objetivo subliminar:
começar a discutir e a fomentar a possibilidade de o Presidente
Lula disputar um terceiro mandato. Confesso que, num primeiro
momento, achei aquilo absurdo, baseado no que os colegas dizem
com relação à perpetuação da reeleição, aliás copiando o modelo
de país vizinho, que está muito na moda. Mas depois comecei
a ouvir vozes discordantes dentro do próprio PT, onde há os
que defendem, os que são contra e os que de maneira sofisticada,
começam a pregar uma Constituinte exclusiva, rápida e objetiva,
cujo tema seria a reforma política. Fui alertado para prestar
atenção à campa |
nha, que se iniciou colocando nas ruas das principais cidades
do Brasil o número 3, que nada significava. No fim de semana,
a charada foi, finalmente, esclarecida: o Banco do Brasil, numa
campanha de R$10 milhões, estampou nas revistas e na televisão
brasileira, incluindo jornais, essa campanha sem objetividade
e sem nenhuma clareza: “Decida pelo 3. E conte com o banco que
é todo seu”. Embaixo consta: “Banco do Brasil, o banco da sustentabilidade”.
A mediocridade da campanha, se realmente não tem objetivo duplo,
é de envergonhar qualquer um. Começa dizendo: “Decidir pelo
3 é tomar, pelo menos, três atitudes por dia pensando na sustentabilidade.
Pode ser apagar a luz, fechar a torneira e ensinar alguém. Pode
ser plantar uma árvore, catar uma latinha no chão e agir com
ética”. |

Heráclito Fortes *
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"Começa-se a especular, neste País, a tentativa
de um golpe. É uma campanha para lembrar a possibilidade
de se rasgar a Constituição brasileira”
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Essa parte de agir com ética, dentro da propaganda subliminar,
é exatamente para justificar que a intenção não é partidária,
porque ética é uma palavra não muito comum na base desse Partido
que hoje governa o País. “Apenas três”, conclui. E por que não
quatro?, pergunto. E por que não cinco? E por que não seis?
Ora, num dia de 24 horas, fazer apenas três boas ações pela
manhã induz à ociosidade ou, então, fixa a pessoa no três, que
é o início de uma campanha para lembrar a possibilidade de se
rasgar a Constituição brasileira. Em suma, começa-se a especular,
neste País, a tentativa de um golpe. O Banco do Brasil é useiro
e vezeiro em campanhas inócuas que desca-racterizam a instituição.
Eu vou entrar com um pedido no Conar para que o órgão suspenda
essa |
campanha. De duas, uma: ou é uma campanha subli-minar ou é uma
campanha de uma imbecilidade e de uma falta de objetividade
para um banco do porte do Banco do Brasil, que merecem punição
os autores. Essa campanha é cara e estranha. Estou chamando
a atenção para que o Brasil fique atento aos gastos que estão
sendo feitos com dinheiro público. O banco da sustentabilidade
já sustentou campanha de aloprados, shows em churrascaria de
Brasília e por aí afora. Estou alertando o País para este fato.
Já começa haver um desmentido ilógico por parte de diretores
do banco. Mas não há justificativa para que nosso querido BB
gaste a fortuna que está gastando numa campanha sem pé e sem
cabeça.
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Heráclito Fortes é senador pelo DEM-PI
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