FATOSíntese

Lula protege-se
da crise aérea
pondo Jobim no
lugar de Pires

Lula empossa Jobim como seu novo protetor contra colapso aéreo
rave crise aérea que está completando, neste domingo(29), longos e trágicos dez meses, é conseqüência da falta de capacidade de gerenciamento do Governo Lula, ou seja, é um problema de gestão. Isso está claro até para o próprio Governo. Entretanto, como o presidente Lula não tem vocação nem experiência de gestão, prefere dar tratamento político à questão, porque política é a única coisa que ele sabe fazer, pois é isso que tem feito a vida toda. Assim sendo, muito desgastado pela crise, resolveu, finalmente, nessa semana, depois de dez meses, trocar o ministro da Defesa: saiu Waldir Pires e entrou Nelson Jobim. Será que vai mudar alguma coisa? Vai. Mudará o estilo de comando do ministro da Defesa. O que saiu, Pires, aos 80 anos, 50 dedicados à vida pública, ex-governador da Bahia, ex-ministro da Previdência e ex-Corregedor Geral da União, sempre foi um político habilidoso com as marcas da serenidade e da conciliação. O que entra, Jobim, ex-deputado federal, ex-ministro da Justiça e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, é dinâmico, agressivo, polêmico e gosta de enfrentar desafios. Em relação ao conhecimento técnico dos problemas relativos ao Ministério da Defesa, ambos estão no mesmo nível: não sabem de nada. Mas há, ainda, uma diferença entre os dois quanto ao futuro: enquanto Pires queria apenas encerrar sua vida pública com alguma dignidade, Jobim tem e mantém a ambição de ser candidato à Presidência da República. Mais do que na capacidade gerencial de Jobim, o presidente Lula está apostando é na ambição política dele. Por que? Com Pires, acomodado politicamente, o desgaste da crise chegou ao gabinete presidencial. De tal forma que Lula já está sendo

alvo de vaias e protestos em todo o País, ao ponto de ser obrigado a alterar sua agenda de viagem e buscar refúgio em lugares onde tem certeza de aplausos. Como deseja manter e encerrar seu segundo mandato com alta aprovação popular não pretende correr riscos de rejeição. Jobim passa, então, a ser seu o novo


Jobim volta à cena política de olho na Presidência
protetor. Enquanto Jobim estiver se desgastando com a crise aérea nos próximos meses, na verdade, estará livrando Lula da desmoralização que não seria mais possível evitar com Pires, completamente desgastado. Em resumo: decisão política de mudança no Ministério da Defesa não tem nada a ver, absolutamente, com o que deveria ser e é colocada pelo Palácio do Planalto, aparentemente, isto é, com a gestão em busca de solução para a crise aérea, mas com a preservação da imagem e da popularidade
de Lula. Por isso, é uma mudança que pouco atende às necessidades reais do País. Dificilmente o ministro Jobim solucionará o colapso aéreo nacional que depende de gerenciamento técnico, disponibilidades financeiras, de articulação de vários órgãos envolvidos com o setor, de planejamento estratégico adequado e longo prazo. Conclusão: se Jobim conseguir superar a crise aérea que traumatiza o Brasil estará credenciado a ser candidato do PMDB à sucessão de Lula em 2010, inclusive com o
apoio do próprio Lula à formação de uma chapa com o PT; e se Jobim fracassar diante da crise, o que é mais provável, encerrará definitivamente sua carreira política, mas terá, durante todo o seu tempo na Defesa, protegido Lula de uma enorme desmoralização nacional. De qualquer forma, Jobim está correndo sérios riscos. E de qualquer forma, Lula sairá ganhando. Sobre perspectiva de solução da crise, nenhuma. E quanto às perdas para o País, isso não tem nada a ver com a mudança ministerial. É outra história.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Guillermo Piernes Renato Riella
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