Lina Vieira




Embora o Governo Lula alegue motivação técnica para demissão da Secretária da Receita Federal, Lina Vieira, motivação real é política tendo em vista conflito dela com a Petrobras agora alvo de investigação de CPI.
PRIMEIRA VÍTIMA DA CPI DA PETROBRAS
Depois da flagrante ingerência política no Banco do Brasil, para forçar queda de juros e maior oferta de crédito no mercado nacional diante da crise global, agora o Governo Lula faz ingerência política na área econômica: Após 11 meses como Secretário da Receita Federal, Lina Vieira é a primeira vítima antecipada da CPI da Petrobras instalada nessa semana. Seu maior erro: multou e criticou, publicamente, a Petrobras por ter deixado de pagar quase R$ 5 bilhões em impostos, fato determinante para formação de CPI, entre muitas outras graves irregularidades da estatal já verificadas pelo Tribunal de Contas da União e Polícia Federal.

Com medo terrível da CPI da Petrobras, que ameaça produzir efeitos devastadores, podendo atingir, inclusive, a ministra-candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff, o Governo Lula decidiu demitir Lina Vieira para evitar que ela seja convocada para depor como Secretária da Receita Federal e criar mais problemas. Funcionária pública da Receita desde 1976, tendo sido Secretária da Fazenda do Rio Grande do Norte por duas vezes, Lina Vieira assumiu o comando do fisco federal em 31 de julho de 2008, por decisão do ministro Guido Mantega, achando que ela seria dócil e obediente para fazer tudo que o PT ordenasse, ao contrário do ante-cessor Jorge Rachid, considerado muito independente e ainda do esquema remanescente do Governo FHC. Entretanto, atordoado com a grave crise econômica global que atingiu o Brasil, o ministro Guido Mantega ainda quebrou a cara em sua expectativa relacionada com o novo comando da Receita Federal. Preocupada em fazer uma gestão tecnicamente correta, Lina Vieira não fez corpo mole nem vista grossa diante dos abusos da Petrobras: primeiro, em janeiro deste ano, a Petrobras deixou de pagar R$ 811 milhões em tributos federais; depois, em maio, a Petrobras fez uma alteração em sua contabilidade, trocando o regime de competência pelo regime de caixa. Resultado: ao invés de pagar ficou com crédito de R$ 4 bilhões em impostos. Aí foi demais: se nenhuma empresa privada brasileira pode fazer essa trambicagem por que a Petrobras, maior estatal brasileira, pode? Com sua autoridade de chefe da Receita Federal e com personalidade própria, Lina Vieira simplesmente fez o que devia ser feito perante uma maracutaia bilionária de sonegação: multou e condenou a Petrobras pelo péssimo exemplo. Desde então passou a sofrer pressões políticas, primeiro de dirigentes da Petrobras, depois do Ministério da Fazenda e, em seguida, do próprio Governo, ao perceber que o conflito estava contribuindo, intensamente, para alimentar a oposição no Congresso em torno da CPI que vai apurar numerosas denúncias de irregularidades e desvios de recursos públicos na Petrobras para atender interesses do PT e partidos aliados. Useiro e vezeiro em distorcer a verdade, o Governo Lula está dizendo que a demissão de Lina Vieira tem motivação técnica: queda na arrecadação de impostos que devia ter sido contida mesmo com a economia brasileira em retração por causa da crise mundial. Mas, a motivação real de sua demissão é política: está relacionada com o seu conflito com a Petrobras. Mais uma razão para ela ser convocada pela CPI da Petrobras. Além da bilionária maracutaia fiscal, a Petrobras é acusada também de movimentar, sem licitação, 80% dos R$ 37 bilhões anuais destinados para compras, e de se tornar braço político do presidente Lula com aplicação de mais de R$ 1,2 bilhão por ano em patrocínios de projetos sociais, culturais e esportivos que abrigam mais de 18 milhões de pessoas, todas cooptadas para apoiar o Governo do PT. Por tudo isso, expectativa é a de que a CPI da Petrobras, mesmo totalmente controlada pelo Governo, possa revelar esquema de corrupção superior ao do Mensalão, até agora o maior da história da República.
Entre as muitas e graves irregularidades, a CPI da Petrobras vai tentar investigar a maracutaia fiscal da estatal de quase R$ 5 bilhões, pelo que foi multada e criticada publicamente pelo péssimo exemplo.

Expediente Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva