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FATORAMA
Jornal de opinião da Capital brasileira
HOME   Brasília - DF 19/04/2009

OBSESSÃO AO EXTREMO
A greve de fome do presidente boliviano Evo Morales, promovida com o intuito de forçar a aprovação de uma nova legislação eleitoral que lhe permita concorrer à reeleição, ainda que bem-sucedida, foi um sintoma da nociva maneira pela qual, tal como o aliado Hugo Chávez, um obcecado pela possibilidade da reeleição indefinida, Morales parece atrelar o destino do movimento que o apóia à sua presença física no poder central. Curioso é notar que tal interpretação é levada adiante mesmo após inúmeros exemplos de uma relativa capacidade de mobilização das massas em torno do programa que Morales, ainda que de maneira hesitante, representa. O último deles, vivo, sem dúvida alguma, na memória recente de Morales e seus opositores, foi a disposição demonstrada na defesa da nova proposta constitucional, bombardeada de maneira violenta por governadores da oposição. Forjado na resistência às reformas orientadas para o mercado que varreram a Bolívia na década de 1990, o movimento que hoje sustenta Morales o alçou ao papel de um de seus líderes justamente pela participação do hoje presidente boliviano nas
mobilizações que desestabilizaram alguns dos projetos de privatização tentados no




país. Morales, no entanto, parece, em alguma medida, privilegiar seu cargo como chefe do Executivo como fonte dos fundamentos de poder que necessita para levar adiante seu programa. Este tipo de ênfase na atuação institucional contribuiu, por exemplo,

para que em uma manobra política de acordo com a oposição Morales atropelasse, durante a crise com os departamentos opositores em torno da nova constituição, a poderosa demonstração de força, pulsando nos protestos de rua, daqueles que o apóiam, e aceitasse uma reforma constitucional abaixo das expectativas iniciais. Ao não enxergar ou deliberadamente promover o futuro do programa político sustentado por seus apoiadores independentemente da sua liderança, Morales submete o destino do movimento de massas as suas vicissitudes, avaliações estratégicas e mesmo equívocos e limitações. Poucas formas de protesto político são mais pessoais do que uma greve de fome, ainda que ela seja seguida, como foi no caso do presidente boliviano, por fiéis defensores. Eis um ponto chave: é evidente que, ao optar por tal maneira de agir politicamente, Morales sabe do potencial de mobilização das massas que ela pode atrair. Na verdade, o presidente boliviano aposta nisso, certo do êxito.. Lamentável é que ele se mostre disposto a utilizar dessa ferramenta para viabilizar sua reeleição, enquanto em outros momentos dela abriu mão para fazer valer seu programa.



ATENTADO - Dois estrangeiros e um boliviano foram mortos pela Polícia, nessa semana, em Santa Cruz, acusados de serem integrantes de um grupo de “mercenários internacionais” que planejava atentado para matar o presidente boliviano, Evo Morales. Dois estão detidos.

Abertura em Cuba
Guerra ao Narcotráfico
Torturas da Cia
Presidente de Cuba, Raúl Castro, anunciou, que está disposto a negociar tudo com o presidente dos EUA, Barack Obama, até direitos individuais e liberdade de imprensa.

Foto: Presidente Raúl Castro
Em sua primeira visita ao México, o presidente Barack Obama prometeu ao presidente Felipe Calderón que pressionará o Senado norte-americano a ratificar o tratado interamericano de combate ao contrabando de armas e ao narcotráfico. A violência no México ultrapassou a fronteira e está sendo encarada pelos Estados Unidos como uma questão de segurança nacional. Somente o narcotráfico já causou mais de 10 mil mortos nos últimos dois anos no México.
Presidente Barack Obama garante que seu Governo não vai punir agentes da CIA acusados de torturas contra suspeitos de terrorismo porque “o momento é de reflexão e não retaliação”.

Foto: Presidente Barack Obama

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