FATOSÍNTESE

Lula e Chávez nunca chegarão ao nível do rei Juan Carlos
Rei Juan Carlos, protagonista da Cúpula Ibero-Americana no Chile
Depois da enorme repercussão internacional do veemente “cala-boca” dado pelo rei da Espanha, Juan Carlos, durante a Cúpula Ibero-Americana, no Chile, os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Brasil, Lula da Silva, que se assemelham e se entendem, combinaram o seguinte: em defesa dos projetos políticos comuns, um engrossa artificialmente contra os espanhóis e o outro defende o censurado publicamente. Pode até ser que Chávez e Lula não tenha feito essa combinação, mas foi o que eles executaram, nessa semana, na medida, estratégica e calcu-ladamente. Exatamente no mesmo dia, quarta-feira(14), em que Chávez apareceu na televisão de Caracas rebatendo e exigindo pedido de desculpas pela crítica do rei espanhol com seu providencial “Por quê no te callas?”, diante de dirigentes de vários países, Lula deu entrevista, em Brasília, saindo em defesa do ditador venezuelano. Em retaliação ao humilhante “cala-boca” que lhe impôs Juan Carlos, Chávez anunciou que está iniciando “uma profunda revisão nas relações diplomáticas e econômicas da Venezuela com a Espanha” e que agora vai ficar de olho nas empresas espanholas que operam em território venezuelano. Já em Brasília, Lula, em defesa ardorosa de Chávez, chegou a dizer a seguinte barbaridade: “Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa, inventem uma coisa para criticar o Chávez. Agora, por falta de democracia na Venezuela, não. Estou há cinco anos no poder e vou chegar aos oito anos, participei de duas eleições para Presidente, e na Venezuela já teve três referendos, três eleições não sei para que, quatro plebiscitos. Ou seja, o que não falta é

Lula da Silva


Hugo Chávez

assumidas, nessa semana, diante da palavra dura do rei da Espanha, que ganhou surpreendente apoio internacional, Lula e Chávez se revelam ainda mais semelhantes em distorção dos fatos, em manipulação das massas, em repúdio à liberdade de expressão, em ataque aos meios de comunicação, em viés ideológico, em
discussão”. Com outras palavras, Lula repetiu o que é sua convicção já expressa anteriormente: “O problema da Venezuela de Chávez é excesso e não falta de democracia”. Como se referendos e plebiscitos vergonhosamente manipulados fossem sinônimo de democracia. E Lula ainda acha absolutamente normal Chávez impor uma reforma constitucional para ficar no poder até quando quiser. Coincidentemente, enquanto Lula defendia e definia o ditador Chávez como democrata, o governo venezuelano
anunciava em Caracas sua intenção de fechar mais um canal de televisão privado – a Globovision – depois de ter casssado, em maio passado, o mais importante e mais antigo canal de televisão do país, a RCTV por não apoiar a chamada “revolução bolivariana”. Ao mesmo tempo, milhares de estudantes universitários saíam às ruas de Caracas em mais um protesto contra a reforma constitucional de Chávez que lhe garante reeleição até a morte. Com suas posições e disposições
tentativas de confundir a opinião pública, em manobras demagógicas e populistas, em admiração aos regimes ditatoriais, em vocação autoritária. Apesar de astutos politicamente, sobretudo especialistas em iludir os desinformados, analfabetos e sem instrução, Lula e Chávez jamais serão admirados e respeitados no mundo inteiro como Juan Carlos pela inquestionável evidência de que, além de não serem estadistas, são limitados culturalmente. Estão na longínqua distância que separa o terceiro do primeiro mundo.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Guillermo Piernes Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva