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Jornal das Vozes Livres de Brasília
HOME   Brasília - DF 18/11/2007

DÉJÀ VU
luta política na vizinha Venezuela ganha cada vez mais retoques dramáticos à medida que chavistas e oposição medem mais uma vez suas forças em torno do referendo sobre a nova constituição bolivariana, que tem como uma de suas pretensões ampliar o poder do presidente Hugo Chávez. Paradoxalmente, Chávez nunca esteve tão fraco quanto agora. As pinceladas autoritárias ilustram um político que tenta desesperadamente retomar o controle de um processo político cujo complexo desenvolvimento ameaça, mais uma vez, e quem sabe pela última, fugir do seu controle. E, apesar dos recentes levantes estudantis, Chávez não tem ninguém a culpar a não ser ele mesmo. A situação em que se encontra hoje é conseqüência mais ou menos direta de uma série de erros políticos cometidos pelo líder venezuelano. No plano discursivo simbólico, Chávez fala demais e desperta a ira de grupos dominantes que não suportam seu jeito “falastrão” no comando de uma potência do petróleo, estabelecendo um contraponto à influência de Washington na região. O problema é que o presidente venezuelano fala mais do que faz. Muito mais. Ao mesmo tempo em que incomoda esses grupos, pouco faz para minar as bases reais de poder deles. Suicídio político. Ao invés de atacar a concentração da riqueza do país, Chávez procura criar uma economia paralela, a
exemplo da rede de abastecimento de





alimentos criada por ele para “competir” com os grupos privados. A sensível diminuição da pobreza em seu país é impulsionada por gastos sociais financiados pelo elevado preço do petróleo no mercado internacional. Ou seja, não tem base em alterações estruturais da sociedade venezuelana e, assim sendo, encontra seus limites, que ficam cada vez mais claros para

a população. Ao invés de nacionalizar mais setores estratégicos da economia, o máximo que Chávez faz é renegociar contratos com as multinacionais. Grandes bancos, indústrias e comércio não têm do que reclamar enquanto continuam faturando muito. Até mesmo o fechamento do grande grupo de comunicação do país foi acompanhado da aproximação com outro, que atuou na tentativa de golpe alguns anos atrás de maneira tão energética quanto a RCTV. Aliás, é de se questionar se outra tentativa de derrubada de Hugo Chávez seria, a essa altura, impedida pela mobilização das massas, como ocorreu anos atrás. A falta de mudanças estruturais da sociedade e a persistência de alguns dos problemas mais centrais do país começam a cansar os venezuelanos que apóiam Chávez, enquanto o outro lado só acumula forças e consegue cada vez mais a unidade política. E o presi-dente venezuelano reage a isso da pior maneira pos-sível. Em vez de abrir o governo para a participação das massas a fim de que o processo político seja reorientado pelas suas vontades, Chávez não nega o histórico militar e a inspiração cubana e centraliza verticalmente cada vez mais as tomadas de decisões. Essa história já foi contada. Seu final não é feliz.

*Estudante de Ciência Política na UnB e de Jornalismo no UniCeub.

 

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