| Depois
de Ciro Gomes aportar em São Paulo, visando às próximas eleições,
convém dar uma olhada no que poderemos ter na sucessão estadual.
Tivemos, além da chegada do Ciro Gomes, a debandada do vereador
Gabriel Chalita, antigo secretário da Educação do governo Alckmin,
que saiu por falta de espaço na legenda do PSDB para postular uma
vaga de senador. Foi parar no PSB, junto com Ciro. É claro que Chalita
não tem muita chance na sua pretensão, mesmo tendo sido o vereador
melhor votado na última eleição. Eleição para senador em São Paulo
é pleito demasiado difícil para novatos. Não obstante, Chalita causou
uma baixa relevante nas hostes da social-democracia paulista. Ele
vem do meio do professorado paulista, um grande colégio eleitoral.
Gabriel Chalita passou-se imediatamente para a base de apoio do
PT e de Lula e entrou como peão no tabuleiro de xadrez da sucessão
estadual. Vê-se que o intercâmbio entre PSDB e PT (e seus partidos
aliados, como o PSB de Chalita e Ciro Gomes) não tem nenhuma barreira
ideológica, servindo, as siglas, como sub legendas do Partido (com |
P maiúsculo), a constelação esquerdista herdeira do antigo Partido
Comunista Brasileiro, carinhosamente conhecido por Partidão. O gesto
de Chalita enfraqueceu seu padrinho político, Geraldo Alckmin, político
a quem o destino ligou de forma decisiva o destino de José Serra.
A equação da sucessão paulista pode ser a chave para a vitória ou
a derrota de Serra à Presidência da República. Um erro em São Paulo
e a equação política se desfaz. O PT jogará no erro do adversário.
Geraldo Alckmin é o candidato natural, por ter vasto apoio na opinião
pública (60% de intenção de votos nas pesquisas), baixa rejeição
e ter vindo de uma sucessão de eleições que o deixaram com grande
recall junto ao eleitorado. Preterir o nome de Alckmin seria um
erro político colossal, mas há fortes indicadores de que esse erro
está sendo cogitado. A imprensa tem dado conta de que o homem forte
de Serra, o ex-guerrilheiro Aloysio Nunes Ferreira, não está medindo
esforços para se sagrar, ele mesmo, candidato na convenção, mesmo
tendo meros 5% na intenção de votos para governador do Estado. Seu
apoio político está no DEM, partido que parece ter |
aceitado a vocação de lacaio das forças esquerdistas paulistas.
Junto com o DEM tem também o PMDB paulista, de Orestes Quércia,
partido no qual Aloysio militou e deixou grandes aliados. Geraldo
Alckmin sempre foi um ET dentro da legenda do PSDB. De corte mais
conservador, sem história de luta contra o governo militar, ligado
à ala mais conservadora do catolicismo, caipira assumido ante o
cosmopolitismo de seus confrades, avesso a rompantes populista,
Alckmin nunca teve a simpatia de Serra. Sua base de apoio parece
se resumir ao que restou da facção de Mario Covas, que a cada ano
fica mais minguada. Geraldo Alckmin é um estrela solitária, que
vive de seu próprio brilho, do bom governo que executou em São Paulo
e da imagem acima de qualquer suspeita que ostenta. |
Seu perfil político está completamente deslocado dentro da agremiação.
O preço de rifar Alckmin pode custar o Palácio dos Bandeirantes
ao PSDB. Uma decisão racionalmente conduzida levará à consagração
do seu nome, fechando assim a porta para qualquer aventura de Ciro
Gomes ou mesmo de um nome ligado ao PT. O problema são as vaidades
e as análises equivocadas dos estrategistas da sigla. Não querem
pensar que livrar-se de Alckmin pode equivaler a livrar-se do poder
estadual. Não podemos minimizar nem as vaidades e nem os erros nas
ações humanas, sobretudo no âmbito político. José Serra terá que
liderar essa decisão e essa decisão selará seu destino no plano
federal. Marchar para as eleições sem uma chapa forte no âmbito
estadual é suicídio político. Ruim com Alckmin, pior sem ele. O
ex-governador é a garantia de uma sucessão tranqüila em São Paulo.
Difícil é imaginar que tal movimentação de Aloysio Nunes Ferreira
esteja sendo feita sem o seu conhecimento e sua prévia aprovação.
Aloysio é o perfeito número dois, não tem |
perfil para chefiar o Executivo, é uma espécie de reedição de Ulysses
Guimarães, que perdeu quando se submeteu a pleitos majoritários,
mas sempre foi cacique partidário. Era um perdedor eleitoral nato.
O problema é que não há lugar para experimentos: um erro agora significará
não apenas perder o Palácio dos Bandeirantes, como também enterrar
as chances de chegar ao Palácio do Planalto. Alguém do esquadrão
estratégico de Lula estará infiltrado na coligação PSDB/DEM? Só
assim para se compreender um eventual passo em falso dessa envergadura.
Pessoalmente sempre tive grande apreço por Geraldo Alckmin. Governador
ou Senador, o povo de São Paulo terá um homem público digno na sua
pessoa. Espero que o grupo de José Serra tenha clareza suficiente
para não ajudar o PT a ganhar as eleições por culpa de seus próprios
erros, eleições que hoje aparentemente estão perdidas para o partido
de Lula se as decisões forem corretamente tomadas. Vamos aguardar
os acontecimentos. |