Para tentar impedir a candidatura de Ciro Gomes em São Paulo, a direção
estadual do PT criou uma regra exigindo 1% de apoio dos filiados do partido
para qualquer pré-candidato petista ao Governo de São Paulo. |
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REBELIÃO CONTRA CULTO PERSONALISTA |
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Mesmo
com alta popularidade em todo o Brasil, o presidente Lula(foto)
começa a enfrentar uma situação inusitada dentro do PT desde
sua fundação. Pelas manifestações dos mais importantes e qualificados
líderes do PT em São Paulo, esboça-se uma rebelião petista
contra o culto à personalidade de Lula, tendo em vista seu
comportamento cada vez mais autocrático e absolutista sobre
o destinos do partido. Movimentos iniciais dessa rebelião
ocorrem no berço do PT, São Paulo, onde a decisão pessoal
de Lula de impor um candidato a governador em 2010 fora dos
quadros petistas está incomodando e irritando muita gente.
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Mais um sinal dessa rebelião surgiu nessa semana: como não quer
de jeito nenhum o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) como
candidato a governador de São Paulo, por imposição do presidente
Lula, a direção regional do PT resolveu criar uma espécie de
barreira legítima para todos os pré-candidatos. Pela regra,
agora, quem quiser ser candidato ao Palácio dos Bandeirantes
pelo PT terá que se apresentar com o apoio de pelo menos 1%
dos 300 mil filiados no Estado, ou 3 mil assinaturas. “É impossível
ser candidato sem base. Adotamos esse critério para evitar que
qualquer pessoa se candidatasse”, justifica o presidente estadual
do PT, Edinho Silva. Em verdade, como é próprio da natureza
do PT tomar decisões com intenções ocultas ou segundas intenções,
nesse caso, o objetivo é um só: impedir que |
Ciro Gomes seja o candidato do partido como resultado exclusivo
de imposição de Lula. Além disso, na ofensiva contra Ciro, o
PT de São Paulo está estimulando pelo menos seis nomes da legenda
para se lançarem em campanha e conquistarem a adesão dos paulistas:
ex-mninistro da Fazenda, deputado federal Antonio Palocci; ex-presidente
da Câmara, deputado federal Arlindo Chinaglia; ex-ministra do
Turismo e ex-pre-feita de São Paulo, Marta Suplicy; ministro
da Educação, Fernando Haddad; e até o senador Eduardo Suplicy.
É uma estratégia para fechar caminho ao Ciro Gomes. Obviamente,
com tantos candidatos do próprio PT paulista ao Governo de São
Paulo, os filiados e eleitores do partido no Estado não vão
querer abrir espaço para um aventureiro do Ceará |
só porque é um desejo pessoal do presidente Lula. Por isso,
o discurso de Marta Suplicy, contrariada com a imposição de
Lula, está ganhando força entre os petistas paulistas: “Ciro
não tem nada a ver com São Paulo”. Embora isso seja verdade,
o que está se fortalecendo entre os petistas de São Paulo é
uma ainda comedida rebelião contra Lula que, já há algum tempo
fora do comando do partido, por estar gozando de alta popularidade
na Presidência da República, desrespeita antigos companheiros
e faz tudo para impor sua vontade. Novo conflito entre Lula
e o PT ou entre o PT e Lula repete os efeitos da tirania de
Lula com o partido na recente crise do Senado. Lula impôs ordem
ao PT para ficar ao lado do presidente do Senado, José Sarney,
rejeitado por mais de 70% da população brasileira. Foi tão chocante
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intervenção de Lula na crise do Senado que o PT ficou perdido,
apoiando Sarney num dia e desapoiando no dia seguinte. Ficou
para o líder do PT no Senado, Aloísio Mercante, o papel mais
ridículo: por exigência do presidente Lula, revogou sua renúncia
irrevogável ao cargo de líder e teve assumir o constrangimento
de entrar na fila de apoio ao Sarney. Agora, é possível que
Lula consiga mais uma vitória de sua vontade sobre a vontade
do PT, mas já tem contra si não apenas um líder porém vários
líderes de prestígio nacional. Além de insatisfação contra o
estilo imperial de Lula, eles estão, na verdade, iniciando uma
rebelião dentro do PT contra ao culto exagerado à personalidade
do Lula, patrocinado e estimulado pelo próprio Lula com sua
desenfreada autopro-moção e sua permanente autoconsagração. |
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Além
de revelar insatisfação contra imposição de Lula em favor da candidatura
de Ciro Gomes, principais dirigentes do PT de São Paulo estão, iniciando
uma rebelião contra o culto à personalidade do Lula. |