| Governo
Lula perdeu o seu principal símbolo diante do mundo na defesa da Amazônia
e do meio ambiente: sensata e coerente Marina Silva, maior defensora do
desenvolvimento sustentável |
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VITÓRIA DOS DEVASTADORES |
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Diante
do mundo, o Brasil está agora sob descrença quanto ao futuro
de sua política ambiental e de defesa da Amazônia. Será, inevitavelmente,
um dos temas da 9ª Conferência dos Estados Signatários da
Convenção sobre Diversidade Biológica, que começa nesta segunda-feira
em Bonn, na Alemanha, sob o impacto de mudança no Governo
Lula: saída de Marina Silva(foto) do Ministério do Meio Ambiente,
com grande repercussão internacional, está sendo considerada
uma ruptura do Governo brasileiro em relação ao desenvolvimento
sustentável da Amazônia e uma vitória dos devastadores da
maior floresta tropical do mundo, motivo de preocupação global.
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Embora o presidente Lula tenha garantido à chanceler alemã,
Ângela Merkel, em visita ao Brasil, nessa semana, que seu Governo
permanecerá cuidando das questões ambientais “com o mesmo carinho”,
o clima é de desconfiança e decepção na própria Alemanha e demais
países da Europa. Para governantes, personalidades, cientistas
e ambi-entalistas, o Governo Lula perdeu o maior símbolo de
defesa da Amazônia e agora será difícil manter e impulsionar
uma agenda de desenvolvimento sustentável numa região onde vivem
25 milhões de pessoas e onde os interesses políticos e econômicos
são de curto prazo, geralmente eleitoreiros. Como síntese dessa
preocupação internacional, o príncipe Charles, da Inglaterra,
falando em Londres sobre a saída de Marina Silva, defendeu, |
enfaticamente, o fim do desmatamento na Amazônia: “As florestas
são o sistema de ar-condicionado do planeta. Quanto verificamos
que elas liberam 20 bilhões de toneladas de vapor de água todos
os dias, absorvem carbono em escala gigantesca e produzem a
chuva que tanto precisamos, vemos como são valiosas. É loucura
pensar que as florestas valem mais mortas do que vivas para
as pessoas pobres que nelas vivem”. Por sua história pessoal
de ambien-talista, descendente de seringueiros, e por sua seriedade,
integridade e firmeza na defesa de um desenvolvimento da Amazônia
com a incorporação da dimensão ambiental, além das econômicas
e sociais, a ministra Marina Silva conquistou prestígio e acumulou
credibilidade em todo o mundo. Entre seus principais |
feitos, em cinco anos no Governo, estão a criação de quase 24
milhões de hectares de áreas de conservação federal, a fixação
de áreas priopritárias para preservação da biodiversidade em
todos os biomas, a estruturação do Plano Nacional de Mudanças
Climáticas e o lançamento do novo Plano Nacional de Florestas.
Saudada internacionalmente como campeã do movimento verde, Marina
Silva foi derrotada dentro do próprio Governo, por resistir
aos conflitos com ministros de visão conservadora, que só pensam
em desenvolvimento econômico com resultados imediatos, e por
pressões de políticos, empreiteiros e grandes empresários do
agronegócio. Maior defensora da Amazônia, vencida em vários
combates, sua situação se complicou depois do lançamento do
PAC chefiado |
pela ministra Dilma Rousseff, de visão limitada às grandes obras
de infra-estrutura, muitas delas precisando de ajustes porque
prejudiciais ao meio-ambiente. Sensata, coerente, decente e
corajosa, mas desprezada e humilhada pelo Governo Lula, Marina
Silva caiu sentindo-se no olho do furacão de poderosos e gananciosos.
Seu sucessor, Carlos Minc, que deixa a Secretaria do Meio Ambiente
do Estado do Rio de Janeiro, atende ao presidente Lula e à ministra
Dilma Rousseff, que exigem pressa na aprovação de licenças ambientais
para implantar as obras do PAC. Em apenas 16 meses, Minc concedeu
2.068 licenças, o dobro da gestão anterior em três anos. É campeão
em licenças ambientais. Tristeza para as florestas e festa para
os devastadores. |
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Saudada
internacionalmente como campeã do movimento verde, Marina Silva deixa o
Governo Lula sem ceder às pressões de ministros e empresários que não pensam
em preservação ambiental. |