Luiz Dulci


Cerca de R$ 250 milhões serão aplicados pelo Governo Lula, neste segundo mandato, numa rede pública nacional de televisão, dentro de ampla reforma da comunicação de massa no Brasil.
REDE PÚBLICA DE TV COMO A BBC
Com o início de operações do sistema de televisão digital no Brasil, a partir de dezembro deste 2007, o Governo Lula pretende investir R$ 250 milhões na implantação de uma rede pública nacional de televisão, dentro de um plano voltado para democratização dos meios de comunicação no País. Uma das prioridades do presidente Lula neste segundo mandato, “o objetivo dessa rede pública de TV é prestar um serviço público – conforme o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci(foto) – tratando de temas que são importantes para a sociedade, que interessam a milhões de pessoas e que nem sempre são tratados pelas televisões comerciais privadas”.

De acordo com o projeto, apresentado essa semana ao presidente Lula e que será debatido no Fórum Nacional de TVs Públicas em Brasília, entre 11 e 14 de abril próximo, reunindo 500 profissionais do setor, R$ 100 milhões deverão ser gastos neste primeiro ano na aquisição de equipamentos, como transmissores de sinais de televisão, e R$ 150 milhões, nos três anos restantes do Governo Lula em ações de consolidação e expansão da rede por todos os 27 Estados brasileiros. Antes do fórum, o projeto será discutido, nesta semana, no Palácio do Planalto, em reunião do presidente Lula com os ministros das Comunicações, Hélio Costa, da Casa Civil, Dilma Rousseff, e da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci. Pelas explicações do ministro Luiz Dulci, nessa semana, o Governo pretende que essa rede pública de TV atinja todo o Brasil, podendo até usar a estrutura atual existente liderada pela Radiobrás, que alcança 30% do território nacional. Mas, antes que surjam críticas precipitadas ao projeto, o Secretário Geral da Presidência, desde 2006 responsável pela Secretaria de Comunicação, que deixou de ser Ministério, avisa e justifica: “O objetivo dessa rede não é divulgar ações do Governo, mas levar ao País temas de interesse público. Quase todas as democracias têm TVs públicas fortes, como a RAI na Itália, a TVE na Espanha e a BBC na Inglaterra”. Segundo o ministro, na implantação dessa rede, devem ser aproveitadas as estruturas de Governo já existentes, “que não são do Governo, são do Estado brasileiro e têm um acúmulo de experiências muito positivo”. Comporão essa rede pública de televisão operada pelo Governo, diversos canais públicos de cultura, de educação e de comunidade, que serão criados seguindo as regras de implantação da TV digital no País. Para isso, o Ministério das Comunicações deve liberar pelo menos dez canais ainda este ano. Quando ao conteúdo desses canais, será competência de outros Ministérios, inclusive da Secretaria Geral da Presidência. Embora faça parte de ampla reforma da comunicação de massa no Brasil, o presidente Lula quer evitar que o projeto seja contaminado pelo tom revanchista do PT em relação ao monopólio privado de televisão no País. Pelo contrário, Lula deseja que essa rede pública nacional seja eficiente e democrática como a prestigiada BBC de Londres. Quarta maior rede de televisão mundial, depois das três mais importantes dos EUA, e a maior como rede pública, a BBC de Londres, em operação desde 1936, possui, atualmente, oito canais nacionais de televisão e atinge 90% da população britânica com uma programação de alta qualidade, sem interesses comerciais, privilegiando informação, educação e cultura com abrangência e diversidade dificilmente encontradas em TVs comerciais. Com 20 mil funcionários, sua principal fonte de financiamento vem de uma taxa anual paga pelos domicílios britânicos com aparelhos de TV: 116 libras por domicílio proporcionando uma receita anual de 2,5 bilhões de libras, equivalente a R$ 12 bilhões. Seu diretor geral é subordinado ao Conselho Curador que é constituído por 12 representantes da população britânica. Sua marca registrada é a imparcialidade. Excelente exemplo para o Brasil.
Conforme o ministro Luiz Dulci, objetivo dessa rede não é divulgar ações do Governo mas temas de interesse de toda a sociedade e que nem sempre aparecem nas televisões comerciais privadas.

Walter Gomes Tão Gomes Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Guillermo Piernes Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva