Lula da Silva


Mais de R$ 30 milhões serão destinados pelo Governo Lula à reconstrução de sede da antiga UNE. no Rio, incendiada em 1964 no início da ditadura militar e demolida pelo Governo João Figueiredo.
EX-UNE AGORA É BRAÇO DO GOVERNO
Mais de R$ 30 milhões serão destinados pelo Governo Federal à reconstrução da sede da antiga União Nacional dos Estudantes(UNE), no Rio. Para isso, o presidente Lula(foto) assinou, nessa semana, projeto de lei reconhecendo a responsabilidade do Estado na destruição da sede da UNE, incendiada em 1964, no início da ditadura militar, e demolida em 1980, por ordem do Governo João Figueiredo, último militar antes de redemocratização. Em discurso, Lula mostrou-se, mais uma vez, contraditório. Alertou que a UNE não deve ser cooptável, mas é exatamente isso que seu Governo está fazendo: a UNE hoje é apenas um braço estudantil do Governo do PT.
Em defesa da entidade, que tem sido bastante criticada por não se mobilizar contra a corrupção no Governo do PT, como esteve na ditadura militar e nos mais recentes governos democráticos, Lula garantiu aplausos es-tudantís ao afirmar, textualmente: “Eu torço para que a reconstrução de sua sede seja o elemento de impulso para que, no Brasil de hoje, a UNE recupere seu grande peso político na vida nacional. O movimento estudantil é incooptável. Os gover-nantes da época sabiam disso”. Errado. Generais-presidentes sabiam que não teriam, como não tiveram, o apoio político dos estudantes, por questão ideológica, mas jamais diriam que a UNE não seria cooptável porque estariam cometendo um equívoco histórico, que seria confirmado na atualidade. Como tentativa de antecipar-se às eventuais críticas ao Governo por estar cooptando a ex-UNE, o presidente Lula fez questão de dizer: “Nunca tivemos qualquer relação com o movimento estudantil em que parecesse que o Governo estava cooptando qualquer entidade”. Embora cooptação não tenha que ser alcançada necessariamente por meio de dinheiro e privilégios, é assim que esse deplorável costume político se desenvolve no Brasil e é assim que o Governo do PT tem agido em relação à UNE e outras entidades que, oposicionistas no passado recente, hoje estão transformadas em verdadeiras instituições pelegas ou chapas-brancas, beneficiadas por gordas verbas que recebem regularmente dos cofres públicos federais. Fazem parte dessa nova pelegada, gerada pelo Governo Lula, a União Nacional dos Estudantes e as mais importantes centrais sindicais de trabalhadores. Agora mesmo, além das verbas que vem recebendo generosamente, a UNE vai ter mais quase R$ 3 milhões repassados pelo Ministério da Saúde para mandar uma caravana percorrer 41 Universidades defendendo as políticas de Saúde, Educação e Cultura do Governo. E a CUT e a Força Sindical, juntamente com outras centrais menos expressivas, hoje principais braços do Governo entre mais de três milhões de trabalhadores sindicalizados, vão receber mais de R$ 56 milhões do Imposto Sindical que deveriam ser destinados ao Fundo de Apoio aos Trabalhadores. Com tanto dinheiro público em caixa, em volume que nunca tiveram em suas respectivas existências, a UNE e essas centrais estão a serviço do Governo. Por isso, silenciaram, vergonhosamente, diante do Mensalão, maior escândalo de corrupção da história da República, e dos demais escândalos que se seguiram – vampiros, sanguessugas, dossiês, violações, etc. Suspenderam iniciativas de mobi-lização popular contra os desmandos do Governo. Obviamente, é um ato de justiça histórica a reconstrução da sede da UNE pelo que ela representou na luta pela democracia. Mas, como as centrais de trabalhadores, a dos estudantes hoje não é nada daquilo que foi. O que vai ser reerguido na praia do Flamengo no Rio é apenas o símbolo físico do que foi a UNE e não o símbolo de resistência estudantil. Lamentavelmente, a ex-UNE, que tanto lutou contra a ditadura, não tem o mínimo de reação contra a corrupção nesse Governo. Virou pelega. De alma vendida.
Mantida por gordas verbas do Governo do PT, a ex-UNE não é mais o símbolo de resistência que foi no passado, não faz qualquer mobilização contra a corrupção e virou uma entidade chapa-branca.

Expediente Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva