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FATORAMA
Jornal de opinião da Capital brasileira
HOME   Brasília - DF 17/08/2008

APOSTA EQUIVOCADA
pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi a pedido da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), divulgada nessa semana em Brasília, revelou alguns dados interessantes que expressam algumas das contradições que atualmente permeiam a representatividade política no Brasil. Tendências históricas de atrelamento do voto, como o personalismo e o clientelismo, continuam presentes, com toda força, é verdade. Mas salta aos olhos elementos mais dinâmicos de irracionalidade do voto que envolvem o próprio eixo da crença de que, de alguma forma, não muito clara, eleitos mantém algum tipo de vínculo com eleitores. A começar pela constatação, até certo ponto surpreendente, de que a maioria dos brasileiros simplesmente não acredita que os resultados das eleições são confiáveis e isentos de fraude. Combinada com a percepção, também majoritária, de que a atividade política é exercida basicamente para reproduzir privilégios da própria classe política, em detrimento da promoção do bem público, poderia se crer que, a exemplo da esmagadora maioria das democracias representativas formais do mundo, o Brasil estaria com um sistema eleitoral próximo do colapso, levando-se em conta o tamanho do déficit de legitimidade que o cobre. Entretanto, o que se verifica é que, a despeito de toda a




descrença que brota do eleitorado, a maioria dele ainda acredita ser o voto instrumento fundamental capaz de alterar significativamente os rumos da sua vida. O dado revela, portanto, não uma descrença generalizada no sistema eleitoral em si, mas uma profunda decepção com as opções políticas que ele constantemente produz. Mais, apontam

também os dados do Tribunal Superior Eleitoral, é cada vez mais baixa, eleição após eleição, as taxas de voto nulo, branco e abstenção. Seria uma espécie de sinal de um crescente esforço, por parte do eleitorado, de reverter as opções que tanto lhe frustram as expectativas? Caso a resposta para a indagação acima seja afirmativa, é necessário apontar, ainda que de maneira relativamente trágica, para as limitações inerentes a esse esforço. Ou seja, a concentração das apostas no voto como único e preferencial instrumento de intervenção política, em detrimento de articulações coletivas potencialmente mais recompensadoras, esbarrará, fatalmente, em obstáculos provavelmente instransponíveis, tais como, apenas para mencionar alguns: a falta de alternativas políticas competitivas realmente diferenciadas entre si, a incapacidade do voto em medir intensidades de preferências, a predominância da significação política atomizada e midiatizada e, claro, a inexorável e desvantajosa relação custo-benefício entre as dificuldades que envolvem o voto profundamente informado, ideologizado e conexo com as demandas concretas, com o impacto total próximo ao zero que um sufrágio tende a representar entre milhões. Ao que tudo indica, ao menos por enquanto, a banca continuará ganhando.



TROPAS - Com a guerra na Ossétia do Sul, a Rússia está mais forte e a Geórgia está mais fraca. Por ter feito invasão militar, a Geórgia perdeu a chance de recuperar a sua província separatista. Agora, somente tropas internacionais poderão encerrar o conflito na região revoltada contra a Geórgia.

Guerra de Putin
Bilhões de Dólares
Ameaça de Bush
Por trás dessa estranha guerra da Rússia contra Geórgia está o estratégico primeiro-ministro e ex-presidente russo, Vladimir Putin, de olho nos oleodutos em território georgiano, com 1 milhão de barris de petróleo/dia.

Todo o petróleo proveniente da Ásia Central em direção à Europa passa, obrigatoriamente, pela Rússia. E a Rússia quer o controle dos oleodutos na Geórgia porque eles são importantes no abastecimento mundial. Muitos bilhões de dólares estão em jogo. Mais do que domínio territorial, o que a Rússia está querendo mesmo, aproveitando a insatisfação da Ossétia do Sul com a Geórgia, é aumentar o seu poder mundial como potência energética.
Enviada pelo presidente Bush, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, foi tentar solução diplomática para a guerra com esse alerta: “Os tempos mudaram e a Rússia não pode destruir o Estado georgiano”.


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