essa
vez, o presidente Lula sabia de tudo sobre o irmão Genival da
Silva, ou Vavá, indiciado pela Polícia Federal sob acusação
de tráfico de influência no Governo e exploração de prestígio
no Judiciário em favor da máfia de caça-níqueis com atuação
em vários Estados, sobretudo em São Paulo e Mato Grosso. Quem
prova isso são as gravações dos grampos telefônicos feitos na
Operação Xeque-Mate com autorização judicial. Foi de telefone
da casa de um dos irmãos de Lula, José Ferreira da Silva, mais
conhecido como Frei Chico, codinome adotado durante o regime
militar, que partiu a ligação para Vavá, na noite de 20 de maio,
com essa advertência: “O Lula quer que você vá lá(Brasília)
para conversar com ele à noite...Tem umas bronca lá...Quer conversar
na casa dele, tranqüilo, tá?...”. Pelas
investigações da Polícia Federal, já está esclarecido que o
homem |
que
se identifica como Roberto e aparece na gravação convocando
Vavá para uma reunião com Lula em Brasília, na verdade, trata-se
de Frei Chico. Ele próprio já confirmou isso, embora Vavá esteja
dizendo que tem dificuldades para reconhecer a voz do irmão.
Frei Chico é um dos irmãos mais velhos de Lula e, como Vavá,
é muito conhecido e prestigiado entre os sindicalistas do ABC
paulista. Não está esclarecido ainda se Vavá esteve, realmente,
com Lula, em Brasília para ouvir “as bronca”, mas o recado de
advertência de Frei Chico prova que Lula sabia das atividades
de lobby do irmão e queria evitar maiores problemas. Além do
irmão de Lula, já indiciado, 86 pessoas, das quais 67 presas,
estão sob investigação da Polícia Federal. Entre elas, o compadre
de Lula, Dario Morelli, militante do PT, acusado de fazer o
pagamento de propinas aos policiais corruptos como sócio do
chefe da quadrilha nos negócios |
|
de caça-níqueis, Nilton César de Servo, ex-deputado
do Paraná. Somente Morelli teria registrado, ano passado,
uma movimentação financeira pessoal superior a R$ 600
mil, quando seu salário na Prefeitura de Diadema é de
apenas R$ 4,8 mil. Todos os investigados já
|
Irmão de Lula, Vavá está indiciado pela Polícia Federal |
|
tiveram quebrados seus sigilos bancário, fiscal e telefônico.
Vavá chegou a ter prisão temporária pedida pela PF, mas
a Justiça não a determinou alegando que ainda não estava
comprovado seu envolvimento com a máfia. Durante sua recente
viagem ao exterior – Índia e Alemanha – o presidente Lula,
contrariado e até irritado ao saber do indiciamento do
irmão, evitou falar sobre o problema prometendo tratar
do caso em seu retorno ao Brasil. Mas, nas oportunidades
que teve de entrevistas essa semana, Lula procurou fugir
da abordagem. Entretanto, durante |
reunião da coordenação política do Governo, no Palácio
do Planalto, o Presidente demonstrou abatimento com
o escândalo envolvendo o irmão e chegou a defender medidas
que possam evitar excessos nas investigações da Polícia
Federal, como uso indevido das gravações telefônicas
prejudicando pessoas que depois podem ser consideradas
inocentes. Como o jogo de caça-níqueis está num terreno
pantanoso de fraudes, ilegalidades e corrupção, envolvendo
muita gente, inclusive pessoas que não aparecem nas
gravações nem foram flagradas em delito,
|
dificilmente a Polícia Federal chegará ao es- clarecimento
de tudo. Para líderes da oposição no Congresso e diversos
setores da sociedade, o indiciamento de Vavá por tráfico
de influência e exploração de prestígio como irmão do
presidente Lula aponta indícios de crimes contra a administração
pública. Por isso, aceleram o movimento que está articulando
a instalação da CPI do Vavá. Consideram que somente numa
CPI podem aparecer um motorista, ou uma secretária ou
um caseiro falando com sinceridade e proporcionando a
descoberta dos verdadeiros corruptos e criminosos. |
|