FATOSÍNTESE

Formadores de opinião acreditam mais na mídia do que no Governo

Freqüentes críticas de Lula à imprensa têm resposta em pesquisa
Pesquisa de opinião sobre o papel dos meios de comunicação em 18 países, inclusive o Brasil, divulgada nessa semana, traz uma resposta clara e direta ao presidente Lula da Silva que, em seus freqüentes ataques à mídia brasileira, seguindo a lógica delirante do presidente venezuelano, Hugo Chávez, costuma manifestar-se intrigado com um fato: a imprensa brasileira tem sido tão crítica e investigativa em relação ao seu Governo que parece querer cumprir atribuições próprias do Congresso Nacional. Conforme o estudo anual de confiança da Edelman, o Brasil é o terceiro de 18 países pesquisados onde a mídia tem maior índice de credibilidade(64%), junto à população esclarecida e aos formadores de opinião, logo atrás do México(66%) e Índia(65%). Pelo estudo, essa confiança na mídia, no Brasil, é maior do que a depositada nas empresas(61%), nas ONGs(51%) e nas instituições religiosas(48%). Embora o Governo tenha alta aprovação, por causa da popularidade do presidente Lula, apenas 22% confiam na administração federal. Entre os meios de comunicação, quem está no topo da confiança são os jornais. Segundo depoimentos dos entrevistados, 87% deles recorrem aos jornais como primeira e principal fonte de informação. Em seguida, vem a TV(82%), Internet(52%) e rádio(32%). Especificamente em relação aos jornais, 42% dizem que lêem, regularmente, os formatos impresso e online enquanto 32% preferem acompanhar as notícias apenas pela versão impressa. Essa preferência pela versão impressa dos jornais predomina em 12 dos 18 países consultados: Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Espanha, Suécia, Holanda, Polônia, Rússia, Irlanda, México, Brasil, Canadá, Japão, China, Coréia do Sul, China e Índia. Portanto, é uma predominância
que se verifica nos países desenvolvidos e em países emergentes como o Brasil. Como novidade em relação a outros estudos recentes no Brasil, o que essa pesquisa internacional traz é que a mídia brasileira, liderando o ranking de confiança, se apresenta com mais credibilidade do que as instituições religiosas que sempre apareceram em primeiro lugar. Outro detalhe interessante é que o índice de confiança nos jornais é quatro vezes maior do que a que se refere ao Governo. Certamente, por causa dos numerosos escândalos
de corrupção desse Governo, sobretudo o Mensalão, o maior da história da República. Demonstrativo disso está no próprio estudo agora anunciado: em 2004, 64% % dos entrevistados confiavam mais nas instituições religiosas, contra 58% na mídia e 54% no Governo. Pela nova pesquisa, em 2008, as instituições religiosas apresentam uma significativa queda de confiança e maior queda no período é a do Governo, que ficou com apenas 22%. Quanto aos partidos e aos políticos, eles aparecem em último lugar nos mais recentes levantamentos
realizados no País, obtendo a maior rejeição pública em toda a história, com certeza por conta de seus envolvimentos nos escândalos de corrupção patrocinados pelo Governo. Em resumo: não é a mídia que deseja ocupar o lugar do Congresso, como pensa o presidente Lula, equivocadamente. Em verdade, a mídia está ocupando o lugar do Congresso porque este não tem cumprido sua função de defender os interesses públicos, mas tem atuado, vergonhosamente, na defesa dos interesses do Governo que, nem sempre, têm sintonia com os interesses públicos. Exemplo emblemático: se


não fosse a coragem e a determinação de uma oposição conectada aos anseios e aos protestos do povo, com intenso eco na mídia, o Congresso teria aprovado a prorrogação da CPMF até 2010, como queria o Governo, contra a vontade de 95% dos brasileiros.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva