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FATORAMA
Jornal das Vozes Livres de Brasília
HOME   Brasília - DF 16/12/2007

SEM VENCEDORES
uando as cortinas se abriram, já era noite de quarta-feira. O espetáculo duraria até às duas horas e meia da manhã de quinta-feira. O palco era o Senado Federal. Séculos atrás, Maquiavel inaugurou a teoria política moderna e assustou o mundo ao apresentar seu manual de política que ensinava todo tipo de manobra ardilosa para o exercício do poder. Nossos governantes estão com a leitura de “O príncipe” em dia. Uma por uma, algumas das argumentações mais utilizadas por Governo e oposição iam caindo por terra. PSDB e DEM firmes na postura contra o imposto enquanto o governo clamava pela “responsabilidade” dos senadores em estabelecer um diálogo capaz de encontrar uma solução. Quando a proposta estava na Câmara dos Deputados, talvez o Governo se sentisse menos falante. Na época, passou o rolo compressor a despeito dos gritos de desespero dos deputados oposicionistas tentando construir o mesmo consenso. A denúncia da negociação tardia foi bem feita pelos líderes da oposição. Mas eis que chega à presidência do Senado Federal uma carta do presidente Lula propondo aos senadores que enfim se fizesse com os recursos da CPMF o que sempre deveria ter sido feito. Aplicação integral na Saúde, ao invés dos 40% de hoje. Era tarde demais. A oposição cheirava a vitória. Queria, depois de





tantas derrotas, ferir Lula. Ao fazer isso, deu as costas a todos os brasileiros que precisam do Sistema Único de Saúde. Certamente, eles sofrem mais do que os que deixavam 0,38% de suas transações para os cofres federais. Quando o dinheiro estava sendo utilizado para outros fins menos honrosos, democratas e

tucanos estavam mais do que certos em rechaçar o imposto. Agora, assumiam o papel de vilão. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) pediu que a proposta fosse analisada com mais calma. Foi agressivamente atacado por Arthur Virgílio (PSDB-AM). É verdade que a demora arrogante do governo em fazer uma proposta decente quase isenta os senadores da oposição. Quase. O último ato da enfadonha peça foi o mais lamentável de todos. Aprovada a Desvinculação de Receitas da União. O Governo acusava a oposição de querer retirar recursos de programas sociais, enquanto descaradamente tentava aprovar o mecanismo constitucional que o permite fazer exatamente isso. Partidos como PT, PCdoB, PDT e PSB defenderam veementemente o superávit primário às custas dos investimentos públicos. PSDB e DEM entraram no jogo. Assim como a CPMF, foram eles que inventaram a famigerada sangria de 20% do orçamento para encher o já volumoso caixa dos banqueiros. Nos grandes partidos brasileiros, não há ideologia, direita e esquerda. Há governo e oposição. Competindo vigorosamente para ver quem consegue prejudicar mais o Brasil. Difícil escolher um vencedor.

*Estudante de Ciência Política na UnB e de Jornalismo no UniCeub.

 

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