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Jornal das Vozes Livres de Brasília
HOME   Brasília - DF 16/12/2007

ANÁLISE POLÍTICA DA DERROTA DO GOVERNO NA VOTAÇÃO DA CPMF SINALIZA REFLEXOS IMPORTANTES NO FUTURO DO PAÍS. O SENADO TROCOU UMA AGENDA NEGATIVA POR UM MOMENTO DE AFIRMAÇÃO POLÍTICA. AO LONGO DE UMA SESSÃO COM MAIS DE 7 HORAS, OS SENADORES MOSTRARAM QUE O GOVERNO TERÁ DE REVER E MELHORAR BASTANTE SUA RELAÇÃO COM O CONGRESSO.

A audiência da TV Senado na madrugada em que caiu a CPMF deve ter atingido picos para o horário. A conferir nas praças onde o Ibope tem medição eletrônica de audiência.

Reforma é day after da CPMF

Não são poucos os analistas e conselheiros, no Governo e fora dele, que avaliam as chances de uma proposta de reforma tributária tomar o centro do debate sobre o que fazer com o fim do imposto do cheque. A oposição no Senado já se manifestou favorável e disposta a negociar esse tema. A situação ainda digere a derrota, mas breve partirá para a iniciativa. Até aqui, as tentativas fracassaram pela situação cômoda do Executivo.

GAZETILHA

A sessão de 12 de dezembro de 2007 no Senado está fadada a entrar para a história brasileira. História do Congresso e da evolução da política econômica nacional.

Os analistas políticos estão debru-çados sobre o aparente paradoxo de um governo com quase 80% de aprovação (ótimo, bom e regular, segundo CNI/Ibope), sofrer tamanha derrota.

Os vencedores, no caso os opositores à renovação do imposto do cheque, terão de rapidamente posicionar-se em torno de alternativas para reordenar as finanças públicas.
Já o Governo, mobiliza técnicos e articuladores em busca de alternativas, para os futuros orçamentos e suas relações com o Congresso. As conseqüências marcarão a segunda gestão Lula.
Os derrotados, adeptos da renovação de uma CPMF recauchutada, certamente estarão avaliando a extensão dos novos tempos que surgem no horizonte político. O Congresso, finalmente, terá de avaliar a extensão desse evento e seus efeitos sobre práticas políticas agora definitivamente diferenciadas, em termos de Senado e Câmara.
Risco de tensões inflacionárias
Está na ata da última reunião do Copom: cresce a preocupação com o divórcio entre o crescimento da demanda e da oferta. As tensões inflacionárias poderão ressurgir em 2008. E tudo porque os empresários não conseguem ampliar a capacidade de investimento, na mesma proporção em que avança o mercado consumidor. Na raiz do problema está a alta carga tributária e o excesso de regulação governamental. O Governo ficou deitado em berço esplêndido.
EXCLUSIVO
O day after da derrota da CPMF no Senado exibiu uma faceta importante da globalização: em poucas horas a notícia e múltiplas análises em torno de suas conseqüências correram, literalmente, o mundo. Para surpresa de muitos, dentro e fora do Governo, o País não veio abaixo. Desastre viria se caísse também a DRU (Desvinculação das Receitas da União).


Tão Gomes Musa Charlotte Magno Martins JB Serra e Gurgel Guillermo Piernes Renato Riella
Jota Alcides Tribuna Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva