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HOME   Brasília - DF 16/11/2008

LIÇÕES LATINO-AMERICANAS
Brasil e nossos vizinhos latino-americanos não são os únicos países que lutam para acertar contas com regimes autoritários do passado. Nesta semana, decisão da Suprema Corte espanhola suspendeu autorização que havia sido concedida para exumação de túmulos de massa contendo vítimas do comando fascista do general Francisco Franco, governante do país de meados da década de 1930 ao início da de 1950. Lá, como aqui, as forças que se movem no sentido de enterrar o passado são poderosas e não permitem muito espaço para manobras. Boa parte do fascismo europeu, em suas mais variadas formas, já foi levada à Justiça. A cúpula nazista com Hitler enfrentou o Tribunal de Nuremberg. O “duce” Benito Mussolini foi enforcado em praça pública pela multidão. O fascismo espanhol, contudo, se adaptou e continuou no poder após o fim da Segunda Guerra Mundial. Ministros e conselheiros do alto escalão de Franco continuaram a exercer vida pública após a morte do general. Fundaram o Partido Popular, do ex-primeiro-ministro José María Aznar, legenda que hoje, juntamente com o Partido Socialista Espanhol (PSOE), domina a cena política do país. A história do PP espanhol está tão umbilicalmente ligada à Franco e seus asseclas que, em alguns municípios que não foi bombardeada administrados pelo




partido, a prefeitura iniciou esquema de construção de casas populares em cima dos cemitérios coletivos. A decisão da Suprema Corte, por dez votos a cinco, impediu que, estima-se, 115 mil mortos e desaparecidos fossem identificados e enterrados devidamente. Impediu, também, que eventuais remanescentes fascistas ainda vivos enfrentassem o

tribunal por crimes contra a humanidade. Assim como na América Latina, uma ampla anistia, que contou inclusive com o apoio do stalinista Partido Comunista Espanhol, foi implantada em 1977. Assim como em vários países latino-americanos, a anistia enfrenta dificuldades para resistir às pressões populares, principalmente de familiares que morreram na mão do regime franquista, e de organismos internacionais, como a Comissão de Direitos Humanos da ONU, apesar do consenso que aparentemente reina no establishment político. Como no Brasil, essas demandas encontraram canais de expressão nas primeiras instâncias judiciais. Se, por um lado, poderia ser csurpreendente a profunda resistência que o processo de acerto de contas espanhol enfrenta, tendo em vista que a ditadura de Franco é ainda menos recente do que a maioria das que assolaram a América Latina, por outro, na Europa, é especialmente preocupante este tipo de demonstração de força pelos herdeiros políticos do fascismo. Principalmente quando se leva em consideração o crescimento da extrema direita, baseada na plataforma xenófoba, a partir da explosão migratória, em muitos países do velho continente. Neste sentido, a antiga metrópole, de certa forma, tem algo a aprender com algumas de suas ex-colônias.



FIDEL - Ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, reapareceu, nessa semana, em foto com o líder da Igreja Ortodoxa Russa, Kiril Guandajaev, em visita a Havana. “Sua capacidade reflexiva parece muito boa, está lúcido, mas está visivelmente abatido”, disse o líder religioso após o encontro.

Obama e Iraque
Bush Vai Escrever Livro
Clinton e Obama
Presidente eleito dos EUA, Barack Obama, confirma que sua primeira decisão de política externa será sobre a retirada de tropas norte-americanas do Iraque. Concentrará atenções no Afeganistão.

Em sua primeira entrevista desde a vitória de Barack Obama, o presidente George Bush disse, nessa semana, lamentar algumas declarações que fez no Governo, como a que pediu à CIA para capturar o terrorista Osama Bin Laden “vivo ou morto”. Prometeu escrever livro sobre as decisões no Salão Oval da Casa Branca. E afirmou que deixar a Presidência dos EUA é como “passar de 150 quilômetros por hora para zero, do dia para a noite”.
Seis ex-assessores importantes do Governo Clinton já estão na equipe de transição do presidente eleito, Barack Obama. Farão revisão completa de departamentos e agências do Governo Bush.


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